(Mar/2016) - Tempo de vida


Muitos podem pensar neste termo como "expectativa de vida". Uma grandeza estatística que permite que possamos avaliar a qualidade de vida de um país. Países com expectativa de vida alta (acima de 70 anos é o considerado, na média) indicam uma boa qualidade de vida. Quer dizer: se um ser humano consegue ultrapassar sete décadas, significa que superou a violência, a desigualdade social, a pobreza, a miséria, a fome, a doença ou qualquer que seja a mazela, e sobreviveu. Se um país tinha uma expectativa de vida baixa e hoje é alta (o caso do Brasil) significa que os parâmetros que podem retirar a vida de alguém deixaram de incidir. Mas isso é estatística, são dados sociais. O que quero dizer com o título deste texto? Tempo de vida? É uma pergunta que muitos se fazem, ao perceberem-se envolvidos por uma rotina massacrante diária, repetida cotidianamente até chegar a uma agenda igualmente torturante de semanas ou meses seguidos. Férias, apenas por alguns dias, com saída corrida e volta corrida, pois os compromissos chamam! O despertador toca, veste-se, toma-se um café, sai de casa, trabalha, almoça correndo, trabalha, volta para casa, despe-se, toma um banho, assiste ao jornal e vai dormir. Quando vê, passou semanas, até meses, sem sequer ter visto um nascer ou pôr do sol, sem ter estado alguns valiosos minutos próximo a uma árvore ou bosque de árvores, sem poder ter brincado com alguma criança ou cuidado de algum animal. Eu falo em tempo de vida mesmo. Quanto tempo você dispõe para compartilhar essa misteriosa energia. Quantos milhões de anos estão por trás de uma simples abertura de flor! A vida é um mistério. Os maiores estudos astronômicos de prospecção de vida fora do sistema solar e mesmo dentro dele (ainda o desconhecemos) buscam sempre o fator básico para a existência de vida: a água. Na verdade, esses cientistas nem estão esperando encontrar uma praia de Copacabana sideral, lotada de alienígenas no verão. Bastaria que águas congeladas ou ferventes de alguns planetas distantes, com condições climáticas e temperaturas inimagináveis, pudesse albergar algum tipo de bactéria primitiva, já seria este achado uma constatação de que existe vida em outro planeta. A Nasa acaba de informar a presença de correntes anuais da água salinizada em Marte. Em centenas de anos, a primeira informação que permite especular a existência de vida neste planeta vizinho do sistema solar, pelo menos em nível microscópico. E as bactérias mostram-se capazes de sobreviver em ambientes inimagináveis para nós humanos, como em crateras de vulcão, em águas salobras ou no fundo gelado de glaciares e oceanos. Foi exatamente nas águas do planeta Terra que a vida surgiu em abundância, diversidade e inteligência. Parece que somos até hoje o único planeta em anos-luz de vizinhos a albergar a vida complexa, em um processo que tardou bilhões de anos para acontecer, até formar-se o primeiro primórdio de vida, um emaranhado de moléculas de carbono ativado pela energia solar em emulsão aquosa. A questão da água é tão crítica no surgimento da vida, que mesmo a grande oferta de carbono e altas quantidades de energia, existente em outros planetas, não é capaz de fazer a vida surgir. Tudo depende do fator crucial – a água – em uma escala de valores de tempo sempre na casa dos bilhões de anos.

Portanto, observemos mais aquilo que nos envolve. Há muito carpete, ar condicionado, água engarrafada, luz artificial? Você está o tempo todo calçado, andando em ambientes limpos com detergentes químicos? Quantas doses de antibióticos você já tomou? Tudo bem, não vou deixá-lo oprimido com estas palavras. Prefiro passar para você uma instrução valiosa, que um dia também recebi de uma pessoa muito especial, e que mudou a minha vida. Abrace uma árvore. Agora estás de fato frente a uma destas mensageiras. Observe-a por um momento. Veja as marcas do tempo em seu tronco, os ramos frondosos que se direcionam para cima, sempre irregulares, com uma beleza sempre única. De fato, não há sequer uma árvore idêntica a outra em toda a Terra e em todos os tempos. Sempre algo a fará modificar-se: o vento, o sol, a chuva e os temporais. Os pássaros com seus ninhos, as plantas, musgos e cogumelos decoram seu corpo, que se molda ao relevo e ao vento. Nas alturas, seus galhos carregam-se multicolores frutos e flores e enroscam-se com os de outras árvores. Abaixo de seus pés outra árvore invisível aos olhos, tão grande como a que sobe aos céus, outra árvore penetra na penumbra a úmida terra. São as raízes, que cresceram em igual proporção para baixo, e fincam suas hastes nas profundezas. Nesse mundo subterrâneo entrelaçam-se entre si e com todos os seres vivos subterrâneos, insetos, minhocas, fungos e bactérias. Dois mundos, representados em um único ser, estão diante de seus olhos. A árvore nos traz o mistério da vida física, material e biológica, mas também o mistério da vida imaterial, vibracional e eterna. Ponha as mãos sobre seu tronco. Se for possível, observe os seres que habitam este pequeno universo, muitas vezes distante de nossos olhos. Nestes minutos, que já se prolongam, uma meditação já teve início. Olhe novamente para a copa da árvore, o movimento das folhas, o céu acima da copa e, se tiver olhos para enxergar, veja também as ondas de vibração que esta árvore emite. Acostumamo-nos a portar pequenos aparelhos que recebem ondas vibratórias invisíveis, os celulares. Através deles podemos falar com pessoas do outro lado do mundo, receber fotos ou vídeos. Mas hesitamos em enxergar ou perceber as frequências vibracionais que esta bela árvore diante de nós emite. Mesmo que saibamos pela biologia que ela é exímia captadora e armazenadora da energia solar, integrando-a com a água e os sais da terra e hormônios do húmus, tendemos a acreditar mais nos feitos da eletrônica que nos servem na rotina moderna. Rejeitamos a ideia que a árvore, esta incrível usina de vida que trabalha em baixa fissão e acumula massa ao planeta, seja capaz de emitir tão potente informação alinhadora de nossos sistemas. Ainda com as mãos postadas sobre o tronco, tire os sapatos e aproxime-se. As células que compõem seu corpo passaram a receber a frequência deste enorme ser, e harmonizam-se. Isto é um fenômeno vibratório normal perfeitamente compreensível. As membranas celulares, as organelas sintetizadoras e energéticas e o DNA das suas células passam a vibrar na mesma frequência das células da árvore. A árvore tem suas raízes profundamente fincadas na terra e seus galhos projetados para os céus, sendo uma antena perfeita entre estes dois reinos. Como um diapasão inerte passa a vibrar, quando aproximado de um diapasão semelhante vibrando, seu corpo passa a vibrar a mesma frequência da Terra. Se conseguir sentir esta fusão vibratória, do diapasão inerte que passa a vibrar a mesma nota que o diapasão da árvore e do planeta, aproveite o momento e aproxime-se mais da grande amiga e abrace-a.

Você está agora em comunhão com a energia da vida. Um mistério tão singelo, mas poderoso, se revela. Seu corpo e o da árvore tornaram-se um. Procure agora respirar com a árvore, sentindo que o oxigênio que ela exala pelas folhas é o combustível de suas células e o gás carbônico que você exala na ventilação serve de base para sua fotossíntese de carboidratos, lipídios e proteínas, que depois servirão de alimento para o planeta e para sua célula. Inale a vida que brota de seu tronco, pelo nariz e boca, mas inale também a essência de vida que nasce desta comunhão. Ao exalar, exale o ar que sai de suas células com as informações do seu metabolismo. E pronuncie como um sussurro a palavra “vida”. Sinta esta palavra, vibre na força desta palavra. Em um nível mais profundo, entregue suas aflições, seu medo, sua sensação de impotência e receba dela coragem, amor e poder. Esta árvore está invadindo você com a corrente da vida. Se seu corpo está doente, acredite neste realinhamento e em seu poder de cura.Se conseguires este momento, aproveite-o. Foi difícil alcançá-lo, mas, após a leitura deste texto e de outros que dizem coisas semelhantes, deixará em breve as coisas da cidade que o seduzem, e iniciará uma caminhada de volta para o reino da nossa Mãe Terra. Aquela que roga pela nossa integridade, por nossa saúde, para que tenhamos longos dias sobre seu seio e que possamos aprender muito com a vida e todas suas lições.




(Jan-Fev/2016) - Templo interno – matando a saudade


Muitas culturas e religiões têm respeito e apreço pela natureza. No Japão, existe o hábito de caminhar por florestas, de maneira meditativa. Todo o processo de iluminação de Sidarta Gautama a Buda foi dentro das florestas e rios. Os essênios eram a própria expressão da natureza em suas vidas, pois tudo o que faziam e pensavam tinha a natureza como cenário. São Francisco foi, na verdade, um essênio, em plena Idade Média. Sua atuação pela “Mãe Terra” custou-lhe os suplícios impingidos pela própria Igreja, já adulterada pela Inquisição. O papa Francisco publicou, em 2015, uma encíclica sobre o meio ambiente. Até a religião predominante no ocidente, matriz da economia capitalista, percebe o desvio e trata de corrigi-lo.

Um jovem universitário que mora no litoral termina suas tarefas ou estágio e consegue pegar umas ondas ao final da tarde ou no fim de semana. Com este hábito, está resgatando o relógio do tempo natural. Ao flutuar entre as ondas, na espera de um pico que possa descer, é comum que o corpo e a mente se libertem do cotidiano e flutuem também. Um pescador do Nordeste, que ponha seu barco no mar toda semana, ou um seringueiro na Amazônia são exemplos de indivíduos que vivem e trabalham no meio da pura natureza, tendo seus corpos regulados pelos ritmos da Grande Mãe.

Beber um suco verde, logo pela manhã, é uma forma muito prática e simples de se alinhar com a natureza. Trazidos pelos vegetais frescos, os fótons ainda presos à matéria da folha atuam como um verdadeiro banho de luz do Sol líquida. O produtor rural retira as plantas nutritivas da natureza, que chegam a um intermediário. Ele prepara o suco para distribuir, ou você recebe as folhas e o prepara. Em minutos, a seiva verde está pronta para ser bebida. Sua ingesta diária tem o mesmo efeito que uma manhã de sol. Ao ingerir suco diariamente, você está regulando seu relógio biológico e sua glândula pineal.

Dormir na hora adequada também reconecta o relógio biológico. Ter hábitos regulares de sono, comer bem e, principalmente, acompanhar os ciclos da natureza, tudo isto
permite que a glândula pineal, este minúsculo órgão localizado no meio do cérebro, possa exercer suas funções biológicas, controlando praticamente todo o ritmo do corpo.

Ter uma casa na qual o sol possa entrar, em que possa abrir uma porta e ver a paisagem verde, colher algumas verduras e acompanhar o movimento dos insetos e pássaros, a harmonia da vida. Estas simples conquistas são de uma dimensão grandiosa em nossas vidas e na saúde da família e da comunidade. Não são caprichos que poderiam ser considerados supérfluos, mas ferramentas de conexão com o planeta e o universo.

A glândula pineal pode ser “limpa”. Além do próprio suco verde, que tem capacidade mineralizante e pode remover o pernicioso flúor da glândula pineal, podemos usar as algas clorela e espirulina, além de outros tipos de algas. A grama do trigo e todo tipo de brotos, os de alfafa, trevo, lentilha, girassol e feijão moyashi, parecem ter o mesmo efeito. O iodo parece ter um papel importante na remoção do flúor e do cálcio que se acumula, endurecendo e determinando a perda de função desta glândula vital.

A hidratação correta, a eliminação de química nos alimentos – isso inclui os venenosos agrotóxicos, cada vez em maior quantidade nos alimentos que vão à mesa – as práticas meditativas que aumentam a saturação de oxigênio, a redução da acidez, o equilíbrio do terreno biológico, todos os hábitos que seguiremos mencionando contribuem para uma plena função da pineal.

Mas o mais belo em tudo isso é poder obter de suas funções a que ela faz de melhor: transcender, nos aumentar a intuição, a criatividade e nos levar ao êxtase espiritual, abrindo as portas da percepção, sem o uso de drogas ou substâncias indutoras. A glândula pineal permite que “viajemos no real”.




(Dez/2015) - Templo interno – a ruptura


Não muito tempo atrás, considerando-se a história da humanidade, nós nos definíamos pelo amanhecer, pelo correr do dia e pelo pôr do sol. Esse era o tempo natural, na China, na Europa e entre os nativos de todo o planeta. Os céus e as forças da natureza eram as referências para a realização de grandes façanhas. As pirâmides do Egito e a Muralha da China foram construídas dentro desta mesma unidade de tempo. Até mesmo as grandes navegações ocorreram dentro deste tempo. Quando nosso lindo país tropical foi descoberto, ainda não existia relógio.

Imagine algo bizarro, composto por rodas denteadas gigantes, fazendo um barulho enorme e acionado por um pêndulo. Este era o relógio primitivo, que rompeu com a noção natural do tempo e criou o tempo mecânico. O que hoje é uma geringonça medieval, que pode ser vista em museus, foi a maior responsável pela ruptura entre o homem e a natureza. Mas muito mais que isto. A então maravilha da tecnologia acabou separando o homem do cosmo. A criatura tornou-se superior ao criador.

René Descartes teve grande importância na ciência moderna e no raciocínio científico, mesmo porque foi um dos grandes homens, como Galileo Galilei, que enfrentaram a igreja e o conceito de que tudo era criação divina, lançando as bases para o raciocínio analítico. Se pensarmos nas “coordenadas cartesianas” que aprendemos nas escolas, perceberemos que este nome vem de Descartes. Fascinado pelo relógio mecânico, sugeriu que o mesmo representava o universo e as leis da natureza. Assim como o relógio era constituído por partes e poderia ser montado e desmontado, a natureza e os seres vivos, compostos por órgãos e sistemas, poderiam ser montados, desmontados, consertados e remontados.

Essa visão não seria filosoficamente falha, caso não tivesse tomado as proporções épicas que tem hoje. A ciência foi se tornando cada vez mais vertical e sectária. Cada especialidade médica vai se dividindo em subespecialidades que se dedicam a aspectos cada vez mais ínfimos do que seria o todo. O médico tornou-se um técnico, limitado e limitante, cuja função principal é prescrever drogas que são princípios ativos retirados da natureza e que agem sobre receptores específicos, mas que na verdade não abordam o problema em si.

O homem-relógio, o corpo-relógio e o órgão-relógio permitem o mergulho vertiginoso em direção aos microscópicos domínios da natureza, mas perdem o olhar dos compartimentos, das relações entre os tecidos e órgãos, dos órgãos entre si formando um organismo e, ainda mais, das relações entre este organismo e seu ambiente externo.

Tal visão nos separou da natureza e do cosmo. Nossas habitações não respeitam os princípios básicos da vida, muito menos nossas unidades de preparação de alimentos, as cozinhas, com suas geringonças, os modernos “relógios” de preparar alimentos rápidos, que contêm produtos que permitem a maior durabilidade dos alimentos. Nosso transporte e forma de trabalho são antinaturais. Fascinados pela ciência de Descartes, compramos celulares e equipamentos cujo funcionamento sequer supomos, e que com seus relógios de chips e quartzos acabam por determinar o que fazemos, sentimos e pensamos durante 24 horas por dia. Não existe o despertar com os primeiros raios do sol, tampouco o repouso que chega com a penumbra da noite.

Tudo relacionado ao tempo se relativizou, mas o corpo ainda não se esqueceu do tempo natural. Uma minúscula glândula, localizada no meio do cérebro, mas ligada a todo o cosmo e os fenômenos do planeta, se encarrega de nos fazer sentir saudades deste tempo.

A glândula pineal se lembra do mundo antes de Descartes e se ressente de nossa ignorante caminhada rumo ao admirável mundo novo. A alma se lembra da conexão perdida e se entristece. Precisamos – a despeito de estar pisando a cada segundo em ponteiros do relógio que se tornou nossas vidas – nos lembrar deste tempo, pela nossa própria sobrevivência como seres individuais e como espécie.





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