(Jun/2016) - Paisagem cultural urbana


A cidade do Rio de Janeiro ganhou, em 2012, por unanimidade, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade, concedido pela Unesco (representação das Nações Unidas para educação, ciência e cultura). Foi a primeira vez que a entidade escolhe uma paisagem urbana para virar patrimônio da humanidade. Já se passaram quatro anos.

A cidade passou a receber olhares bem mais atentos de observadores internacionais e a ter maior responsabilidade com suas paisagens naturais, pois se previa o envio de relatórios sobre a preservação da ambiência delas. Destacam-se o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, a Praia de Copacabana, entre outras, inclusive da Cidade de Niterói.

Espremida entre o mar e a montanha, a cidade do Rio de Janeiro possui três maciços montanhosos: a Serra do Mendanha, a Pedra Branca e o Maciço da Tijuca. Este último abriga o Morro do Corcovado e uma das maiores florestas em meio urbano do mundo.

A paisagem natural sempre foi um dos grandes trunfos da cidade do Rio de Janeiro. Suas cadeias de montanhas e o litoral sempre fizeram muito sucesso no exterior e, não por acaso, a paisagem natural é uma das bases do paisagismo moderno, ou melhor, para a construção de um projeto de paisagismo moderno e sustentável, pois alia o que há de mais representativo na flora do local com sua preservação.

A responsabilidade ainda é constante e de cada um de nós. De manter a beleza natural, de preservar áreas de encostas e livrá-las do desmatamento, de fiscalizar obras irregulares, de cuidar das praias. Enfim, de manter a cidade bela. O carioca agradece, a natureza também e o paisagismo comemora. Parabéns a esta cidade maravilhosa.




(Jul/2016) - Plantas de inverno


A estação que tem a temperatura mais baixa do ano começou dia 20 de junho e trouxe muito frio para os cariocas. Normalmente é um período em que a disponibilidade de água fica mais reduzida para as espécies vegetais. Outra questão já anunciada é o grau de calor ou frio da atmosfera, que também irá influenciar na fisiologia de muitas espécies ornamentais e, por conta disso, no seu crescimento, desenvolvimento e florescimento.

Entretanto, todos podem cultivar plantas nesta época do ano, aqui na cidade do Rio de Janeiro. Não há, em absoluto, nenhum impedimento de ordem climática que dificulte o cultivo de plantas ornamentais em épocas frias em nossa cidade. O que há é um maior cuidado nos tratos culturais com espécies que preferem o calor. Cuidados esses relacionados à rega excessiva e ao aparecimento de doenças.

Espécies como a congeia, a azaleia e a caliandra são ótimas para serem apreciadas nas épocas mais frias. São perenes e florescem de forma espetacular nos meses do inverno.

Muitas espécies de flores anuais (ciclo curto) também preferem o clima mais ameno e pouca luminosidade para florescer. É o caso da petúnia, cravina e amor-perfeito, entre outras. Nessas condições, diferentemente das plantas perenes, que podem ficar anos num jardim, é preciso um cuidado a mais e trabalho com a semeadura, o que, de maneira alguma se torna complicado. Muito pelo contrário, torna-se prazeroso, também. Os preparativos com a semeadura devem começar pelo menos três meses antes. É preciso conhecer a espécie que se quer ter no jardim.

A última dica fica por conta da poda. Mais uma vez, dependendo da espécie cultivada, a poda excessiva ou equivocada pode desencadear o enfraquecimento do vegetal e favorecimento para o ataque de pragas e doenças. Muitas espécies, no inverno, estão em estágio mais lento de crescimento, e outras estão em plena atividade. Não faça poda naquelas espécies que estão com flores ou mesmo botões florais. Ainda que elas estejam perdendo suas folhas, não se engane, elas estão ativas.

A dica maior é: conheça e busque informações sobre a espécie que quer ou está cultivando. Todos os manejos culturais devem estar de acordo com as necessidades da espécie, seja ela de clima mais quente ou de clima mais frio.




(Ago/2016) - Jardins suspensos


Já escrevi aqui, neste espaço, sobre uma nova forma de construir jardins que está literalmente subindo nas paredes e também na cabeça de muita gente nas grandes cidades do mundo. Podemos incluir aqui São Paulo e o Rio de Janeiro. São os jardins suspensos. Não, não são os jardins suspensos da Babilônia e sim os jardins em lajes, telhados e paredes. Os de hoje em dia não são famosos como aqueles construídos por uma das primeiras grandes civilizações do mundo, que se estabeleceu às margens dos rios Tigre e Eufrates, no Oriente Médio, mas nem por isso menos importantes. Principalmente numa época de preocupação ambiental latente.

Uma das sete maravilhas do mundo antigo, os jardins suspensos da Babilônia são, das maravilhas relatadas, as menos conhecidas. Suas formas e dimensões são apenas conjecturas, pois nenhuma descrição mais detalhada ou qualquer vestígio arqueológico jamais foram encontrados. Foram construídos no século VI a.C., no sul da Mesopotâmia, atual Iraque, pelo rei Nabucodonosor, para consolar sua esposa preferida Amitis, que nascera na Média, um reino vizinho, e vivia com saudades dos campos e florestas de sua terra natal. Em seus terraços havia árvores e flores da região, além de alamedas repletas de imponentes palmeiras.

Os jardins suspensos do século XXI, ou telhados verdes, são projetados para permitir o cultivo, de forma técnica e funcional, de espécies vegetais sobre o topo de prédios e outras construções urbanas, com o intuito de melhorar, fundamentalmente, a qualidade ambiental e a qualidade de vida nas cidades.

Desenvolvidos no início da década de 1970, na Alemanha, os telhados verdes são, em sua essência, jardins comuns, com aplicação de uma técnica que, além de proteger a alvenaria, é bastante leve, de forma que não se tornem pesados demais, quando cheios de terra, e acabem comprometendo a estrutura das edificações. Aliás, esta é uma das principais preocupações e também a maior dificuldade na instalação desses projetos. A técnica para construção desses jardins suspensos consiste na aplicação de seis camadas, cuja primeira é a aplicação de um revestimento impermeável colocado sobre a laje. O segundo passo é a instalação de uma barreira de um tipo de plástico (polipropileno) ou cobre. Acima disto vai um tecido, que funciona como uma espécie de esponja para retenção do excesso de água, e duas outras camadas, que agem como filtros de diferentes espessuras e estruturas de sustentação.

Dependendo da estrutura das edificações, pode-se colocar mais ou menos terra e, assim, utilizar espécies que exploram um maior ou menor volume desta, como pequenas árvores frutíferas. Entretanto, normalmente as plantas utilizadas são de pleno sol, mais rústicas (mais resistentes) e com sistemas radiculares mais superficiais. Isso de maneira alguma diminui a beleza e o encanto desses magníficos jardins, pois temos uma gama enorme de espécies que se enquadram nas condições pré-definidas por esses tipos de jardins.

A construção desses espaços, além de valorizar o imóvel, funciona como isolante natural das radiações solares e, por conseguinte, do calor, retendo água da chuva e mantendo um resfriamento dessas construções, o que representa uma significativa economia de energia elétrica e também economia para o bolso de seus moradores.




(Set/2016) - Propagação assexuada de plantas ornamentais. Você sabe o que é?


É muito fácil multiplicar as plantas ornamentais, mesmo quando não dispomos de suas sementes. A grande maioria delas se multiplica facilmente por estacas de caule. Além disso, também podemos utilizar as folhas ou, ainda, fazer divisão de suas touceiras ou rizoma.

Sobre o método conhecido por estaquia, é preciso cortar estacas que tenham entre 20 e 30 cm e de 4 a 6 gemas. O enraizamento deve ser feito diretamente em leitos de areia ou vasos do tipo jardineira. Nada além de areia é realmente necessário. Deve-se manter o local sombreado e úmido. Dependendo da espécie, o enraizamento da estaca pode levar de 30 a 60 dias.

Outra forma de se propagar espécies ornamentais é através da técnica de propagação conhecida como alporquia. Consiste em forçar o enraizamento de uma determinada parte do caule sem separá-lo da planta. É feito de forma simples também, raspando-se levemente o caule de forma anelar – para retirar a camada mais amarronzada deste – num tamanho que varia de 10 a 15 cm. Depois disso, envolva toda a parte raspada com um material vegetal que retenha umidade, pode ser usado musgo, esfagno ou mesmo serragem moída. Agora é só envolver tudo com um filme plástico e amarrar as duas pontas, como se fosse um bombom. O enraizamento ocorre, também, dependendo da espécie entre 20 e 50 dias.

É preciso dizer que essa forma de propagar as plantas ornamentais não permite variabilidade genética, ou seja, ocorre a criação de uma planta exatamente igual à planta mãe. Por isso, é importante observar características desejáveis na sua planta matriz, como por exemplo, robustez e resistência a pragas e doenças.

É isso! Comece já a multiplicar suas plantas e prepare-se para preencher o seu jardim. Vem aí uma nova estação do ano. Até lá.




(Out/2016) - Chegou a primavera


Chegamos a mais uma primavera. E por que essa é a melhor época para o plantio do seu jardim? Mais do que uma sabedoria popular, esse conhecimento está intrinsecamente ligado às condições climáticas do nosso hemisfério, que combinam aumento gradual da temperatura, mais suprimento de água e um comprimento maior do dia, ou seja, mais horas de luz para os vegetais.

Você vai encontrar muitas espécies que não se encaixam nessa condição. No entanto, boa parte das plantas ornamentais cultivadas nos trópicos segue à risca os estímulos da natureza, que ficam muito mais evidenciados nos meses de outubro, novembro e dezembro. Mas atenção, lembre-se de que noutro hemisfério – o norte, por exemplo – as condições climáticas citadas aqui são diametralmente opostas.

É sabido que as plantas são estimuladas por água e luz e que, com o aumento gradual desses dois fatores, o seu jardim responderá de forma rápida, e o sucesso na implantação será maior. Esta época do ano é também conhecida como a época das águas, e muitos plantios comerciais são também iniciados agora.

Muitas flores de corte têm seu florescimento favorecido justamente nesta estação, por conta do maior comprimento do dia. Aliás, o manejo de flores visando seu comércio – principalmente florescimento ou retardamento deste – está associado a mantê-las sob mais ou menos horas de luz. Isso é chamado fotoperíodo.

Há muitos artigos citando o romantismo desta estação do ano e a beleza dos campos – mais floridos e com mais vida. E a primavera é realmente a estação do ano onde a flora renasce após o inverno.

Junto com essa explosão de cores e aromas, oriunda das diferentes espécies de flores, há toda uma fauna – às vezes despercebida pelos olhos humanos – que é completamente dependente dessa flora para sobreviver.

Portanto, mãos à obra: inicie já o seu projeto de jardinagem e comece a semear suas mudas! A natureza agradece e vai sorrir para você com muitas cores e formas!




(Nov/2016) - Paisagismo e meio ambiente


A partir da Resolução 001 de 1986 do Conselho Nacional de Meio Ambiente – Conama –, tornava-se obrigatória, no país, a realização de Estudos de Impactos Ambientais (EIA) e Relatórios de Impacto no Meio Ambiente (Rima), para projetos de desenvolvimento com modificação relevante das situações físicas, bióticas e socioeconômicas, nos locais de implantação, tanto na área de influência direta quanto indireta. O projeto paisagístico, incorporado como instrumento das ações compensatórias ou medidas mitigadoras desses estudos, instituía a presença do eng. agrônomo, do biólogo e do arquiteto paisagista, entre outros, no processo do planejamento da paisagem e do seu desenvolvimento para uma melhoria da qualidade de vida, influenciando suas estimativas e realçando o seu valor. Fernando Magalhães Chacel foi um ícone da arquitetura paisagística brasileira. Chacel era carioca e seus trabalhos são pioneiros, sobretudo na reconstituição de coberturas vegetais do sistema de lagunas costeiras da cidade do Rio de Janeiro. Os moradores de bairros como Jacarepaguá, Recreio e Barra da Tijuca devem muito ao trabalho dele. Hoje, se esses bairros proporcionam, ainda, alguma qualidade de vida, isso deve ser creditado, em parte, ao processo de ecogênese experimentado com sucesso por Chacel. Ele é o responsável pela reconstituição/regeneração de dois parques importantes. O parque da Gleba “E” e o parque Professor Mello Barreto. Essas áreas naturais haviam sido praticamente devastadas. Seu objetivo era recuperar a margem da lagoa e suas áreas de transição entre a água e as áreas urbanizadas.

Lutou como ninguém para um desenvolvimento sustentável dessas regiões, de forma que previu que, sem a manutenção mínima das condições naturais de fauna e flora, todo aquele ecossistema frágil seria perdido, com sérias consequências para nós todos. Em seu livro, intitulado “Paisagismo e ecogênese”, esmiúça toda a complexidade do conceito e explica seus projetos. Chacel trabalhou em conjunto com profissionais de outras áreas, porque acreditava na multidisciplinaridade do trabalho em conjunto. Ecogênese pode ser definida como a recriação de uma paisagem natural transformada por atividades antrópicas, ou seja, atividades humanas. Criar paisagens, já dizia Burle Marx é criar microclimas. Sobretudo, fazer paisagismo é não somente aproximar o homem da natureza, mas especialmente recuperá-la, preservá-la. Levar em conta a vegetação predominante na área e usá-la no próprio projeto é uma maneira de criar projetos também sustentáveis. O paisagismo atua diretamente na qualidade de vida das sociedades. Interfere de forma positiva em áreas cognitivas do ser humano. Pode representar diminuição da temperatura nas cidades, amenizar efeitos estressantes em um parque industrial e reconstruir áreas degradadas. O conceito de paisagismo é amplo e caminha lado a lado com o meio ambiente. Cria, modifica, refaz, mas sempre preserva.

O paisagismo deixou de ser um gesto de “design” há tempos. Hoje, principalmente e antes de tudo, é um processo em que estão envolvidos diversos profissionais de diferentes áreas visando qualidade de vida e preservação ambiental. Viva Fernando Chacel!




(Dez/2016) - As bromélias e a dengue


Todo verão no Rio de Janeiro é sempre o mesmo medo, o mesmo receio. Chuvas torrenciais e a dengue. Aproveito o momento oportuno para republicar aqui meu primeiro texto nesse espaço. Vamos a ele, na íntegra.

As plantas da família botânica Bromeliaceae abrangem mais de três mil espécies e vários híbridos. Com apenas uma exceção, todas são nativas do continente americano. O Brasil abriga, nos seus diferentes ecossistemas (a Mata Atlântica, o Cerrado, o Semi-Árido e a Floresta Amazônica, dentre outros), mais da metade dessas espécies. Esses vegetais são extremamente adaptados e desenvolveram diferentes hábitos de crescimento, de acordo com as variações climáticas, como, por exemplo, luminosidade e temperatura, podendo crescer não só no solo (terrestres), mas também em árvores (epífitas) e nas fendas das rochas (rupícolas). São plantas herbáceas perenes e possuem folhas com bainhas livres, não chegando a formar um todo completamente fundido; o que ocorre é que, na maioria das espécies, as margens das folhas se sobrepõem e formam uma roseta que acumula água.

Introduzidas no paisagismo por Roberto Burle Marx, são, hoje em dia, indispensáveis para o sucesso dos jardins tropicais, graças às suas diferentes formas, texturas de folhas, diferentes cores e exóticas florações. Mas a importância das bromélias vai além da beleza, pois essas plantas atraem beija-flores e insetos polinizadores e nas grandes matas são responsáveis pela manutenção de uma complexa biodiversidade, abrigando pequenos vertebrados, protozoários e larvas de diferentes insetos que sobrevivem na água acumulada por elas. Besouros, aracnídeos e lesmas são alguns exemplos dessa diversificada fauna.

A dengue tem levado a população a mudar seus hábitos no que tange ao cultivo de plantas ornamentais, e as bromélias são sempre alvo de muitas discussões e constantes questionamentos em relação à proliferação ou não do mosquito causador da doença (Aedes aegypti), uma vez que essas plantas acumulam água em suas rosetas, também chamadas de tanque ou copo.

É certo que, eventualmente, larvas de mosquito possam ser encontradas na água acumulada nos copos das bromélias, mas não as larvas do Aedes aegypti. Estudos realizados pela Fiocruz atestaram que essas plantas não são locais preferenciais de proliferação das larvas do mosquito transmissor da dengue. Já em maio de 2002, o jornal Planta Rio trazia uma reportagem em que a então diretora da Fiocruz, a infectologista Queila Marzochi, afirmava que pesquisas indicavam as bromélias como responsáveis por apenas 0,5% dos locais infectados. Não é difícil imaginar o porquê desses resultados encontrados pela Fiocruz, uma vez que as larvas do mosquito transmissor da dengue sofrem intensa predação natural pelos micro-organismos que habitam as bromélias, bem como pelos pequenos vertebrados e todos aqueles pequenos animais já citados aqui.

A isso se chama equilíbrio ecológico. Inesperadas epidemias de dengue são também resultados diretos do desequilíbrio ecológico causado, inequivocadamente, pela ação do homem e não por ação das plantas.




(Jan-Fev/2017) - Uso de resíduos em jardins


Um tema recorrente na agricultura é a utilização de resíduos. No caso de plantas de ornamento, esse fator ganha mais força ainda. Vamos falar mais sobre ele.

A disposição de resíduos no meio ambiente tem sido uma das preocupações da sociedade moderna, que busca, por meio de mecanismos legais, o desenvolvimento sustentável, com a menor geração possível de rejeitos. A caracterização destes passivos e suas possíveis formas de reutilização é uma exigência legal que traz consigo responsabilidades, não só ambientais, mas também sociais e econômicas, uma vez que muitos deles podem trazer benefícios aos solos tropicais intemperizados, comuns no Brasil, promovendo ciclagem de nutrientes na produção vegetal (resíduos com característica de fertilizante) ou mesmo a elevação do pH (resíduos alcalinos, por exemplo), tornando terras antes impróprias ao cultivo, por conta da presença de alumínio tóxico e potencial de hidrogênio baixo, outra vez aptas às suas funções sociais básicas.

Desta forma, torna-se importante saber a procedência e/ou a caracterização do resíduo que se tem ou mesmo se adquire de alguma forma, antes de sair aplicando-o em seu jardim. Resíduos orgânicos (restos vegetais, sobras ou cascas de alimentos, excrementos de animais etc.), são materiais importantes que contribuem para a nutrição das plantas ornamentais. Mas é preciso critério na aplicação deles, pois o ideal é que estejam já curados (maturados completamente) ou, ao menos, em estado avançado de decomposição – o que é normalmente conseguido com a utilização de processos de compostagem. Principalmente, é necessária uma análise de solo prévia.

Em se tratando de resíduos oriundos de processos industriais, é preciso que tenham selo de aprovação do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, para que sua comercialização seja legal e obedeça a critérios de segurança e saúde para o consumidor. Geralmente, os processos industriais são obtidos com a adição de diferentes elementos químicos e, com isso, podem gerar resíduos potencialmente perigosos, por conter sobras desses elementos. Assim, o uso deles pode causar contaminação das águas, do ar e, principalmente, do solo.

Os jardins normalmente são cultivados em solos previamente analisados por profissionais que sabem da importância de um bom preparo e da adição de matéria orgânica. As plantas normalmente respondem bem, e o solo se torna mais fértil, além de ter substancialmente aumentada a sua capacidade de retenção de água. Entretanto é preciso constante critério e cuidado com as fontes de matéria orgânica. Na dúvida, consulte sempre um agrônomo. O meio ambiente e o seu jardim agradecem.




(Mai/2016) - Árvores na rua


Você criaria em seu quintal um filhote de leão? Que tal um filhotinho de urso panda? São realmente adoráveis quando pequenos, caro leitor. Entretanto, quando se tornarem adultos, certamente lhe causarão sérios problemas.

É claro que a matéria é sobre paisagismo e jardinagem e quero, com este parágrafo introdutório, chamar sua atenção para o uso inadequado de espécies vegetais de grande porte nas ruas, avenidas e quintais residenciais. As árvores e palmeiras são realmente importantes no paisagismo urbano e trazem grande satisfação e beleza, sem contar com a imponência e maior frescor proporcionados aos ambientes. Porém essas espécies têm sido usadas de forma indevida no paisagismo urbano carioca, e não é raro observar transtornos causados por esses vegetais, principalmente no verão, quando ficamos sujeitos às chuvas fortes, sempre acompanhadas de rajadas de vento, também bastante comuns nessa época do ano. A alusão do primeiro parágrafo tenta remeter o leitor ao perigo de se plantar uma espécie vegetal de grande porte sem o conhecimento das técnicas de jardinagem, que envolvem, além de conhecimentos básicos de fisiologia vegetal e botânica, informações preciosas como, por exemplo, seu porte (tamanho que a espécie vegetal vai alcançar na sua idade adulta), hábito de crescimento (tipo e conformação da copa), tipo de raízes (se são raízes profundas – ditas pivotantes – ou as que exploram pouco volume de solo, chamadas de fasciculadas – espécies concentradas e pouco profundas), caráter da folha (se a espécie perde as folhas em determinada época do ano – chamadas de caducas). Enfim, o plantio de um vegetal de grande porte implica em ter esses conhecimentos básicos que nortearão a tomada de decisão da melhor planta para cada tipo de jardim. Portanto, a decisão da inserção dessas árvores ou palmeiras no projeto paisagístico, seja ele urbano ou residencial, deve sempre aliar técnica e arte, e não pura e simplesmente a beleza e a estética. Vamos tomar como exemplo apenas uma espécie de árvore e uma de palmeira, para que tenhamos noção do assunto e não tornar esse texto um pergaminho, uma vez que o problema é mais sério do que pode imaginar o caríssimo leitor. A amendoeira (Terminalia catappa) é uma árvore de grande porte, originária da Ásia, que hoje ocupa de forma maciça as ruas e praças de todo o Rio de Janeiro. A espécie tem crescimento vigoroso, normalmente alcançando dez metros de altura ou mais. Possui uma copa em forma de guarda-chuva, com folhas grandes que sempre caem nessa época do ano entupindo ralos e bueiros da nossa cidade. Suas raízes são profundas (pivotantes) e sempre causam transtornos aos transeuntes, seja por esburacar completamente as calçadas ou por simplesmente se tornarem verdadeiros obstáculos à passagem, uma vez que elas (as raízes), invariavelmente sobressaem em relação ao solo. Nem vou citar aqui os problemas em relação a encanamentos de água e esgoto e fiação elétrica. Morcegos são atraídos pelos seus frutos, e, quando estes caem, podem machucar quem está embaixo ou simplesmente atingir carros que eventualmente estejam estacionados sob sua generosa sombra. Esse talvez seja o único motivo que levou essa espécie a ser plantada de forma exagerada no Rio, sua sombra. Mas, como foi dito, faltou critério técnico a quem plantou essas árvores, já que existem espécies mais adequadas para passeios públicos sob fiação aérea e que, além de reunir outras características desejáveis para tal, são muito mais belas, como a quaresmeira (Tibouchina granulosa), que é oriunda da Mata Atlântica. Portanto, brasileiríssima. E as palmeiras? Não preciso escrever aqui do coco, fruto do coqueiro (Cocos nucifera), que, ao cair, cheio de água e pesado, pode causar acidentes graves.




(Abr/2016) - Rio de jardins


Parabenizando por mais um aniversário, publico aqui, outra vez, um texto em homenagem a esta Cidade Maravilhosa.

A cidade do Rio de Janeiro comemorou aniversário no mês de março. Cantada em verso e prosa, por suas belas paisagens montanhosas, num casamento perfeito com o mar (como o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu em um de seus poemas), a cidade é realmente um raro exemplo de natureza viva e presente, a serviço de seus moradores. A Floresta da Tijuca, maior floresta urbana do planeta, está dentro do Parque Nacional da Tijuca e compõe o Maciço da Tijuca, que, juntamente com o Maciço do Mendanha e o da Pedra Branca, formam os três complexos montanhosos da Cidade Maravilhosa. Dentro de cada um desses maciços não faltam cachoeiras, animais silvestres, resquícios ainda intactos da Mata Atlântica e, claro, muito ar puro, romantismo e excelentes locais para caminhadas. O carioca nasce cercado por toda essa natureza e, como se não bastasse, na outra ponta ainda pode contemplar o mar.

A área verde da cidade do Rio de Janeiro é um permanente convite para os apaixonados por plantas e jardins. Sim, jardins no melhor estilo inglês, o naturalista.

Obviamente, estão de fora dessa conta o Parque Nacional de Itatiaia e toda a região de Guapimirim, para não falar de outras áreas igualmente ricas em fauna e flora. Ao caminhar pelas florestas encravadas na cidade, o carioca se depara com espécies de plantas no seu habitat, expressando maior beleza e cor. Para os amantes do paisagismo e da jardinagem é quase um passeio obrigatório. É claro que é preciso destacar aqui que muitos dos acessos a esses parques, florestas e maciços são íngremes e exigem fôlego e preparo físico, mas, não tenha dúvida, a visão que se tem da cidade do Rio de Janeiro do alto de suas montanhas e a natureza que se descortina a cada passo são recompensadoras.

Para os que não querem tanto suor para apreciar a rica flora carioca, ficam o sempre ótimo Jardim Botânico, o Parque Lage, o Sítio Burle Marx, além dos inúmeros hortos espalhados pela zona oeste da cidade, mais precisamente em Vargem Grande.

Enfim, o Rio de Janeiro é mesmo uma Cidade Maravilhosa, repleta de jardins naturais, infindáveis surpresas, belas paisagens e ótimos cenários para passeios para todos os gostos e fôlegos.




(Mar/2016) - Construa logo o seu jardim. A natureza agradece!


O paisagismo e a jardinagem caminham juntos, aliando técnica e arte na criação de espaços e na formação de jardins que unem beleza e funcionalidade, ou seja, destacam-se, não só pela harmonia das cores e elementos vegetais, mas também pelo correto aproveitamento do espaço, fazendo com que este seja de fácil acesso e bem aproveitado. A arte de se transformar um ambiente utilizando elementos vegetais sempre buscou, invariavelmente, a satisfação das pessoas, trazendo maior proximidade com a natureza, proporcionando uma sensação de bem-estar, equilíbrio e prazer.

As plantas ornamentais se destacam principalmente pela forma, cor e enorme variabilidade do seu florescimento, além das diferentes texturas de folhas, sendo usadas, de maneira geral, para compor espaços internos ou externos, de acordo com seus variados mecanismos de adaptação. Entretanto, nunca a criação desses espaços teve tanta ligação com as questões ambientais como nos tempos atuais.

O paisagismo sustentável é tema central e recorrente em diversos eventos da área no país. Além desse macrotema, chamam também a atenção as crescentes discussões sobre recuperação ambiental através do paisagismo.

É extremamente positiva a inclusão de um tema que trate da utilização de jardins para recuperar áreas degradadas ou abandonadas nas grandes cidades; e por que não incluir aqui pequenas e médias propriedades mais afastadas dos grandes centros urbanos? Quem, em nossa cidade, não se deparou, em algum momento, com terrenos baldios e áreas abandonadas que acabam virando matagais ou verdadeiros depósitos de lixo a céu aberto? Será que essas áreas, que infelizmente são bastante comuns no Rio de Janeiro, não trariam, além de mais beleza e cor, maior respeito e civilidade para seus habitantes? E quais seriam as benfeitorias nos solos dessas áreas? E no ambiente, como um todo?

Utilizando vegetais, é impossível executar qualquer transformação num ambiente sem ter noções de botânica e ecologia, bem como conhecimento das relações complexas entre as plantas, o solo e a atmosfera. Essas interações são extremamente complexas e ocorrem de forma interdependente, variando de acordo com as modificações de temperatura, disponibilidade de água no solo e luminosidade.

Se as plantas ornamentais se relacionam de forma tão intensa com todos esses fatores ambientais, estabelecendo uma relação recíproca de dependência e troca, muitas vezes a beleza dessas espécies passa a caminhar lado a lado com a nossa própria sobrevivência.

Quando falamos de plantas, os argumentos são inesgotáveis, e podemos ainda citar o processo de aproveitamento da luz realizado por esses organismos. A fotossíntese é a absorção da energia proveniente do Sol, que as plantas fazem por meio das clorofilas, para aproveitar a água retida no solo e o dióxido de carbono (CO2) retirado do ar atmosférico, e, assim, transformá-los em inúmeros compostos orgânicos de oxigênio, carbono e hidrogênio (glicose, carboidratos e celulose, entre outros), para, no final do processo, liberar oxigênio.

Sendo o CO2, o principal vilão do efeito estufa em nosso planeta, as plantas ornamentais – sim, essas mesmas que compõem os nossos jardins – têm, portanto, um imprescindível papel na manutenção da vida na Terra. O que estamos esperando? Vamos logo construir nossos jardins e colher flores e vida.




(Jan-Fev/2016) - Rio de jardins! Rio olímpico!


A cidade do Rio de Janeiro comemora aniversário no mês de março. Cantada em verso e prosa por suas belas paisagens montanhosas, num casamento perfeito com o mar (como o poeta Carlos Drummond de Andrade escreveu em um de seus poemas), a cidade é realmente um raro exemplo de natureza viva e presente a serviço de seus moradores. Além disso, nesse ano de 2016, ela irá realizar os XXXI Jogos Olímpicos da era moderna, e o cenário é mesmo encantador.

A Floresta da Tijuca, maior floresta urbana do planeta, está dentro do Parque Nacional da Tijuca e compõe o Maciço da Tijuca, que, juntamente com o Maciço do Mendanha e o da Pedra Branca formam os três complexos montanhosos da cidade maravilhosa. Dentro de cada um desses maciços não faltam cachoeiras, animais silvestres, resquícios ainda intactos de mata atlântica e, claro, muito ar puro, romantismo e excelentes locais para caminhadas. O carioca nasce cercado por toda essa natureza e, como se não bastasse, na outra ponta ainda pode contemplar o mar.

A área verde da cidade do Rio de Janeiro é um permanente convite para os apaixonados por plantas e jardins. Sim, jardins no melhor estilo inglês, o naturalista.

Obviamente, estão fora dessa conta o Parque Nacional de Itatiaia e toda a região de Guapimirim, para não falar de outras áreas igualmente ricas em fauna e flora. Ao caminhar por entre as florestas encravadas na cidade, o carioca se depara com espécies de plantas no seu habitat, expressando maior beleza e cor. Para os amantes do paisagismo e da jardinagem, é quase um passeio obrigatório. É claro que é preciso destacar aqui que muitos dos acessos a esses parques, florestas e maciços são íngremes e exigem fôlego e preparo físico, mas, não tenha dúvida, a visão que se tem da cidade do Rio de Janeiro do alto de suas montanhas e a natureza que se descortina a cada passo são recompensadoras.

Para os que não querem tanto suor para apreciar a rica flora carioca, ficam o sempre ótimo Jardim Botânico, o Parque Lage, o Sítio Burle Marx, além dos inúmeros hortos espalhados pela zona oeste da cidade, mais precisamente em Vargem Grande.

Enfim, o Rio de Janeiro é mesmo uma cidade maravilhosa, repleta de jardins naturais, infindáveis surpresas, belas paisagens e ótimos cenários de passeios para todos os gostos e fôlegos.

Certamente, a primeira cidade da América do Sul, desde 1896, a sediar uma das mais importantes competições esportivas do planeta vai encantar o mundo inteiro com seus jardins esculpidos pela natureza.





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Fábio Freitas  Paisagismo

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