(Jun/2016) - Anos 1950, uma década de grandes filmes


Neste número do Tipo Carioca, faremos um resumo da história do cinema na década de 1950, época em que surgiu a televisão, obrigando o cinema a grandes mudanças para continuar crescendo: surgiram a tela panorâmica, o cinemascope, a terceira dimensão (com óculos especiais) e outras técnicas. Passados os horrores da II Guerra Mundial, o cinema experimenta uma certa maturidade, abandonando as distorções inerentes ao sentimentalismo patriótico dos anos 1940 e voltando-se para uma percepção mais profunda da natureza humana, com melhoria da qualidade, para atender à enorme vontade de entretenimento que passou a dominar o público. Com as restrições da censura diminuindo, a maior liberdade de expressão possibilitou filmes mais ousados e realistas, como A doce vida, E Deus criou a mulher, A fonte da donzela, Boneca de carne etc. Grandes atores e atrizes foram revelados na década: Brigitte Bardot, Marilyn Monroe, Jeanne Moreau, Giulietta Masina, Monica Vitti, Simone Signoret, Jean-Paul Belmondo, Marcello Mastroiani, Marlon Brando, James Dean, Albert Finney e outros. O salto qualitativo foi grande, como podemos ver na relação abaixo:

1950: –Crepúsculo dos deuses (direção de Billy Wilder): a melhor obra já feita sobre Hollywood; obra-prima absoluta; –Rashomon (Akira Kurosawa): as diferentes versões de um crime presenciado por quatro pessoas; –Diário de um pároco de aldeia (Robert Bresson): fiel adaptação do romance de Georges Bernanos (1888-1948), de 1936; –Los olvidados (Luis Buñuel): sexo e sadismo; –Uma rua chamada pecado (Elia Kazan): mulher neurótica perturba a vida da irmã e do cunhado; –A malvada (Joseph L. Mankiewicz): um retrato da perfídia humana.

1951: –Sinfonia de Paris (Vincente Minnelli): ótimo musical, ganhador de seis Oscar; –Um lugar ao Sol (George Stevens): a ambição e os valores morais de um jovem.

1952: –Matar ou morrer (Fred Zinnemann): faroeste antológico, dramatizando aspectos sociais do Oeste; –O salário do medo (Henri-Georges Clouzot): uma reflexão sobre a dignidade do trabalho humano; –As férias do sr. Hulot (Jacques Tati): uma das melhores comédias do cinema, com o genial Tati no papel principal; –Umberto D (Vittorio De Sica): neorrealismo. Um aposentado idoso e as dificuldades morais e materiais para manter sua dignidade; –Cantando na chuva (Gene Kelly, Stanley Donen): um dos melhores musicais de todos os tempos; –Depois do vendaval (John Ford): romance de ex-boxeador com solteirona decidida.

1953: –Viagem a Tókio (Yasujiro Ozu); –Contos da Lua vaga (Kenji Mizoguchi); –A um passo da eternidade (Fred Zinnemann): a surpresa do bombardeio japonês a Pearl Harbor; –Os brutos também amam (George Stevens): sensível fábula sobre o Bem e o Mal; –Os homens preferem as loiras (Howard Hawks): Jane Russell e Marilyn Monroe à procura de bons partidos. Imperdível Marilyn cantando Diamonds are a girl’s best friend; –A princesa e o plebeu (William Wyler): romance clássico com Audrey Hepburn e Gregory Peck.

1954: -A estrada da vida (Federico Fellini): Oscar de melhor filme estrangeiro; –Janela indiscreta (Alfred Hitchcock): suspense muito bem elaborado pelo mestre Hitch; –Os sete samurais (Akira Kurosawa): grande épico do cinema japonês; –Disque M para matar (Alfred Hitchcock): o planejamento perfeito de um assassinato; –Sabrina (Billy Wilder): romantismo e humor; –Sindicato de ladrões (Elia Kazan): conflito entre estivadores e a máfia que explora o trabalho no porto.

1955: –Ricardo III (Laurence Olivier): a história do rei da Inglaterra no século XV; –Canção da estrada (Satyajit Ray): primeiro filme de Ray. O cinema indiano conquistando o mundo; –Juventude transviada (Nicholas Ray): a delinquência juvenil e o conflito de gerações; –Férias de amor (Joshua Logan): o clássico Picnic. Sensualidade e luxúria; –O pecado mora ao lado (Billy Wilder); a famosa comichão que dá nos homens no sétimo ano de casamento.

1956: –Os dez mandamentos (Cecil B. DeMille): superprodução épica; –O sétimo selo (Ingmar Bergman): parábola de Bergman sobre a morte; –Rastros de ódio (John Ford): clássico do faroeste; –Assim caminha a humanidade (George Stevens): a descoberta de petróleo no Texas.

1957: –A ponte do rio Kwai (David Lean): épico marcante ganhador de sete Oscar; –Morangos silvestres (Ingmar Bergman): um estudo do envelhecimento e suas recordações; –Glória feita de sangue (Stanley Kubrick): crueldade e violência no front francês.

1958: –A marca da maldade (Orson Welles): conflito de policiais, corrupção, tráfico de drogas e discriminação; –Cinzas e diamantes (Andrzej Wajda): jovem resistente recebe ordem de executar representante do Partido Comunista; –Um corpo que cai (Alfred Hitchcock): drama psicológico de detetive que sofre de acrofobia; –Quero viver! (Robert wise): baseado em fatos reais. Presumível inocente é sentenciada à morte.

1959: –Ben-Hur (William Wyler): aventura em alto estilo, ganhou onze Oscar; –Intriga internacional (Alfred Hitchcock): o melhor do mestre do suspense; –Anatomia de um crime (Otto Preminger): drama de tribunal, tenso e profundo; –Hiroshima, meu amor (Alain Resnais): o tema preferido de Resnais, a memória; –A fonte da donzela (Ingmar Bergman): filha é estuprada e morta. Pais hospedam os criminosos, ignorando a culpa deles; –Balada do soldado (Grigori Chukhrai): emoção em cinema soviético pós-Stalin; –Acossado (Jean-Luc Godard): diretor rompe estrutura narrativa clássica. Verdadeiro manifesto da Nouvelle Vague; –Quanto mais quente melhor (Billy Wilder): comédia de primeira; –Os incompreendidos (François Truffaut): o início do moderno cinema francês.




(Jul/2016) - Os bons filmes da década de 1960


Alguns críticos – e também grandes cinéfilos – comentam que, a partir dos anos 1960, houve um declínio na qualidade dos filmes produzidos, com a indústria cinematográfica voltando-se para produções mais comerciais, em detrimento da arte. Realmente, os filmes bem-elaborados que privilegiavam a arte foram se tornando cada vez mais raros, até chegarmos ao estágio atual, onde filmes chamados “de ação” predominam no mercado, com chavões pra lá de manjados: explosões, violência, perseguições rocambolescas de carros, nudez, sexo etc. São filmes que agradam a determinado público-alvo, composto, em sua maioria, de jovens pouco exigentes, descomprometidos com a cultura. Poucas produções se salvam dentro deste cipoal mercantilista que incorpora a febre pelo lucro imediato e fácil. “E la nave và”... Voltemos, pois, aos anos 1960, onde nem tudo estava perdido. “Garimpando” um pouco, conseguimos selecionar alguns bons filmes, de variados gêneros, que podem, perfeitamente, despertar o interesse do leitor. Para quem gosta de AVENTURA, o grande destaque é para El Cid (1961), de Anthony Mann: um épico admirável sobre o lendário herói espanhol do século XI, com lindas imagens e exata reconstituição histórica. Outra brilhante saga da época é Lawrence da Arábia (1962), de David Lean, sobre a vida de T. E. Lawrence, o oficial britânico que uniu facções árabes inimigas para derrotar a Turquia, na I Guerra Mundial; essa superprodução ganhou sete Oscar, inclusive o de melhor filme. Mais um grande épico é Spartacus (1960), do perfeccionista Stanley Kubrick, em que um gladiador se opõe à opressão dos nobres romanos e lidera uma rebelião de escravos. As aventuras do agente 007 também começaram na década, com O satânico dr. No, em 1962, primeiro de uma série que depois se repetiria, abusando de efeitos especiais. Os fãs do DRAMA foram bem aquinhoados nos anos 1960. A década começou com A doce vida (1960), de Federico Fellini, que retrata a sociedade romana do pós-guerra. Em 1963, chega O Leopardo, de Luchino Visconti, mostrando as mutações sociais na Sicília de 1860, com a nobreza dando lugar a uma burguesia ascendente. Em 1966, é a vez de O homem que não vendeu sua alma, de Fred Zinnemann, sobre a vida de Thomas More, o chanceler que se opôs às pretensões de Henrique VIII de romper com a Igreja, se divorciar de Catarina de Aragão e se casar com Ana Bolena. A produção ganhou seis Oscar, inclusive o de melhor filme. Uma magnífica obra sobre o rei da Inglaterra Henrique II aparece em 1968: O leão no inverno, onde Katharine Hepburn, com grande desempenho como a rainha Eleanor de Aquitânia, ganhou o Oscar de melhor atriz. Os costumes decadentes da Roma do século I são expostos em Satyricon (1969), de Federico Fellini, que se baseou em um livro de Petrônio, escritor romano que era um dos favoritos do imperador Nero. Além dos comentados, outros dramas interessantes são: A noite (1960, de Michelangelo Antonioni – Urso de Ouro no festival de Berlim); Fellini oito e meio (1963, de Federico Fellini – Oscar de melhor filme estrangeiro); Persona (1966, de Ingmar Bergman); A bela da tarde (1967, de Luis Buñuel); Julgamento em Nuremberg (1961, de Stanley Kramer); Longa jornada noite adentro (1962, de Sidney Lumet); A primeira noite de um homem (1967, de Mike Nichols); A noite dos desesperados (1969, de Sydney Pollack); O processo (1963, de Orson Welles) e o brasileiro Deus e o diabo na Terra do Sol (1964, de Glauber Rocha). Aqueles que apreciam uma boa COMÉDIA não devem perder Se meu apartamento falasse (1960), de Billy Wilder, onde funcionário solitário e ambicioso empresta seu apartamento para os encontros amorosos de seus chefes e acaba se apaixonando pela ascensorista, que está envolvida com o chefão; Oscar de filme, roteiro, direção, montagem e direção de arte. A comédia italiana está bem representada em O incrível exército de Brancaleone (1965), de Mario Monicelli, em que pequeno, esfarrapado e quixotesco exército (?) sai pela Europa à procura de um feudo. O humor negro está presente em Dr. Fantástico (1964), de Stanley Kubrick, obra-prima da comédia política, que satiriza a bomba atômica. Outra comédia antológica é A pantera cor-de-rosa (1964), de Blake Edwards, com Peter Sellers no papel do atrapalhado inspetor Clouseau. O MUSICAL, gênero pouco apreciado hoje em dia, teve cinco grandes representantes: Amor, sublime amor (1961, de Robert Wise/Jerome Robbins – Oscar de melhor filme); Os guarda-chuvas do amor (1964, de Jacques Demy – Palma de Ouro em Cannes); A noviça rebelde (1965, de Robert Wise – Oscar de melhor filme); Minha bela dama (1964, de George Cukor – Oito Oscar, inclusive o de melhor filme) e Mary Poppins (1964, de Robert Stevenson). Um filme de FAROESTE se destacou no período: O homem que matou o facínora (1962), do mestre John Ford. Tivemos, ainda: Butch Cassidy (1969, de George Roy Hill); Era uma vez no Oeste (1969, de Sergio Leone); Meu ódio será sua herança (1969, de Sam Peckinpah). O filme de GUERRA mais notável foi A batalha de Argel (1965, de Gillo Pontecorvo, ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza). O SUSPENSE também foi bem representado no período, com: Psicose (1960), de Alfred Hitchcock, a conhecida história do “filho que era mãe”, com notável interpretação de Anthony Perkins; Sob o domínio do mal (1962), de John Frankenheimer – complicações paranoicas de ex-prisioneiros torturados na guerra da Coreia; Blow-up – Depois daquele beijo (1966), de Michelangelo Antonioni – situações bizarras envolvendo fotógrafo que descobriu assassinato ao ampliar uma foto – Palma de Ouro em Cannes; Repulsa ao sexo (1965), de Roman Polanski – um estudo psicológico. Polanski realizou, ainda, em 1968, um filme de HORROR diabólico: O bebê de Rosemary, sucesso mundial. Em 1968, também apareceu um revolucionário filme de FICÇÃO CIENTÍFICA: 2001 – Uma odisseia no espaço, de Stanley Kubrick, onde um computador (HAL 9000) assume o controle total de uma nave espacial (H, A, L, se você ainda não sabe, são letras que antecedem I, B, M...). No gênero POLICIAL, tivemos: No calor da noite (1967) de Norman Jewison, filme de alto conteúdo racial, com Sidney Poitier no papel de um detetive negro. Produção premiada com cinco Oscar, incluindo melhor filme e roteiro adaptado. Outro filme policial pontificou no mesmo ano (1967): Bonnie and Clyde – Uma rajada de balas, de Arthur Penn, que conta as peripécias de famoso casal de assaltantes dos anos 1920/1930, durante a Grande Depressão americana.




(Ago/2016) - Filmes da década de 1970


Nos anos 1970, já começa a ficar mais difícil para o cinéfilo exigente (e inteligente) a tarefa de selecionar obras cinematográficas dignas de serem assistidas. Com os filmes excepcionais rareando, à medida que os anos passam, o mercado é entulhado, cada vez mais, por filmes “bonzinhos” (a maior parte dos EUA), engajados no lucro comercial, sem grande preocupação com a profundidade dos temas, funcionando apenas como passatempo despretensioso. Mas nem tudo estava perdido: alguns cineastas, notadamente na Europa, realizaram obras mais apuradas e profundas, abordando temas de grande interesse para o público. Entretanto, tivemos, nos EUA, filmes um pouco acima da média, já comentados em outros artigos: –O poderoso chefão 1 e 2 (1972/1974) e Apocalypse now (1979), de Francis Ford Coppola; –Tubarão (1975) e Contatos imediatos de terceiro grau (1977), de Steven Spielberg; –M.A.S.H. (1970) e Nashville (1975), de Robert Altman; –Um estranho no ninho (1975), de Milos Forman; –Chinatown (1974), de Roman Polanski; –Cabaret (1972), de Bob Fosse; –O expresso da meia-noite (1978), de Alan Parker; –Alien, o oitavo passageiro (1979), de Ridley Scott; –Guerra nas estrelas (1977), de George Lucas e, ainda, A conversação (1974), de Francis Ford Coppola, em que um perito em grampear telefones entra em crise quando descobre que seu trabalho está a serviço de uma trama criminosa (ganhou a Palma de Ouro em Cannes).

Dos filmes europeus, cada vez mais apreciados nestas plagas, destacamos os seguintes:

–O homem de mármore (Polônia, 1976), de Andrzej Wajda – Refletindo o clima de inquietação da sociedade polonesa, o filme faz parte do início da corrente contestatória que culminaria com a união dos sindicatos do país, formando o Solidariedade, em 22 de setembro de 1980. A obra coloca o stalinismo em questão, ao abordar o tema da realização de um documentário sobre um heroico operário que foi posto em segundo plano com o degelo;

–Solaris (URSS, 1972), de Andrei Tarkovsky – Não se enquadrando na estética oficial soviética (calcada no realismo socialista), é um filme de ficção científica perturbador, que trata da ida de um psicólogo a uma estação orbital da URSS, para verificar a incidência de alucinações que estavam levando alguns tripulantes ao suicídio ou à morte;

–O jardim dos Finzi-Contini (Itália, 1971), de Vittorio de Sica – Durante a II Guerra Mundial, família aristocrata de judeus italianos ignora a ameaça dos campos de concentração fascistas e a perseguição aos membros de sua raça, passando por situações que não previra. Oscar de melhor filme estrangeiro;

–Amarcord (Itália, 1973), de Federico Fellini – Amarcord (“eu me lembro”, em dialeto romagnol) é uma crônica onírica e nostálgica de uma pequena cidade italiana na década de 1930; relato autobiográfico que revela o cotidiano familiar, o despertar da sexualidade e a ascensão do fascismo. Oscar de melhor filme estrangeiro;

–O discreto charme da burguesia (França/Espanha/Itália, 1972), de Luis Buñuel – Obra surrealista que confunde sonho com realidade, caracteriza-se como uma crítica social audaciosa e uma sátira às convenções burguesas;

–Um dia muito especial (Itália, 1977), de Ettore Scola – Filme intimista, mostra o encontro, em 1938, no dia em que Hitler visitava Roma, de um radialista demitido por ser homossexual (Marcello Mastroianni) e sua vizinha, uma esposa infeliz (Sophia Loren). Expõe a repressão e a massificação de ideias por parte do governo fascista italiano na época;

–Giordano Bruno (Itália, 1973), de Giuliano Montaldo – Impressionante reconstituição da vida do filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno (1548-1600), que, influenciado por Nicolau de Cusa e Copérnico, desenvolveu sua teoria do universo infinito e da multiplicidade dos mundos, o que implicou em negar a ideia teológica da Criação. Julgado pela Inquisição, foi torturado e queimado vivo, em fevereiro de 1600;

–O tambor (Alemanha, 1979), de Volker Schlöndorff – Magnífica crítica político-social. O garoto que se recusa a crescer, depois de os nazistas tomarem o poder na Alemanha, e seu protesto, batendo com vigor num tambor, sempre que algo dava errado em sua vida. Ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e compartilhou, com Apocalypse now, a Palma de Ouro em Cannes;

–1900 (Itália/França/Alemanha, 1977), de Bernardo Bertolucci – Filme com 234min, um grandioso painel sobre a história da Itália no século XX; a batalha entre a esquerda e o movimento fascista;

–O dia do Chacal (Inglaterra, 1973), de Fred Zinnemann – Adaptação correta do romance de Frederick Forsyth, a história da tentativa de assassinato do general Charles de Gaulle por elemento contratado por grupos da extrema direita;

–O amigo americano (Alemanha/França, 1977), de Wim Wenders – Um dos melhores filmes de Wenders. Homem pacato, portador de doença incurável, é procurado por francês que lhe faz uma estranha proposta: matar perigoso mafioso em troca de 250 mil marcos. Tensão o tempo todo;

–O enigma de Kaspar Hauser (Alemanha, 1975), de Werner Herzog – Garoto criado em um porão até seus 18 anos é levado para a cidade e estranha a nova realidade. Filme baseado em fato real. O título original é Jeder fur sich und Gott gegen alle, cuja tradução é “Cada um por si e Deus contra todos”. Tivemos, ainda, na década, dois bons e hilariantes filmes do grupo inglês Monty Python:

-A vida de Brian (1979) e Monty Python - Em busca do cálice sagrado (1975).

O Japão também deu sua contribuição, com: –Dodeskaden – O caminho da vida (1970) e Derzu Uzala (1975), ambos de Akira Kurosawa. A década de 1970 foi, ainda, a época de filmes polêmicos, como: –O último tango em Paris (Fra/Ita/EUA, 1972), de Bernardo Bertolucci; –As mil e uma noites (Itália, 1974), de Pier Paolo Pasolini; –O império dos sentidos (Japão, 1976), de Nagisa Oshima.




(Set/2016) - As tendências contemporâneas - cinema dos anos 1980


Preocupando-se cada vez mais com a parte comercial, em detrimento da arte, começam a pontificar filmes de caráter mediano, que chegam até a conquistar prêmios em festivais, na falta de coisa melhor. Somente uma parte ínfima dos milhares de produções cinematográficas da década de 1980 é digna de destaque. Após o estabelecimento de diretrizes consideradas básicas para filmes de sucesso de bilheteria, a mesmice vai se impondo gradativamente. A imaginação e a criatividade ficam restritas a alguns cineastas já consagrados ou a uns poucos idealistas que se opõem à pasmaceira reinante, engajando-se num cinema de autor, voltado para a problemática social. Como o poderio hollywoodiano é imenso, a maior parte dos filmes é oriunda dos EUA. Mas quantidade nunca foi sinônimo de qualidade. Assim sendo, os expoentes da indústria cinematográfica norte-americana na década se restringem a poucas produções, já mencionadas por nós em outros artigos: Os caçadores da Arca Perdida (1981); E.T., o extraterrestre (1982); Tootsie (1982); Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984); Baleias de agosto (1987); Uma cilada para Roger Rabbit (1988); Touro indomável (1980); Atlantic City (1980); Os intocáveis (1987); Platoon (1986); Gente como a gente (1980); Laços de ternura (1983) e (vá lá...) Um tira da pesada (1985). Entretanto, também nos chegam produções de outras partes do mundo, notadamente da Europa. Embora não tão divulgadas quanto as oriundas dos states, ocupam seu lugar no espaço, sendo vistas por pessoas cultas e de bom gosto. Entre outras, podemos citar: –Mephisto (Hungria/Alemanha/Áustria, 1981) – De István Szabó – Cinebiografia do ator húngaro Gustaf Grundgens, que renegou seus companheiros da Resistência e aderiu, por vaidade, ao nazismo. Produção com esplêndidas imagens barrocas, levou o prêmio de melhor filme estrangeiro e o prêmio de roteiro em Cannes; –Adeus, Meninos (França/Alemanha, 1987) – De Louis Malle – Numa França sob dominação alemã, durante a Segunda Guerra, menino de família rica enviado para um colégio católico distante vive o drama da descoberta de sua origem judaica. Filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza; –Pelle, o conquistador (Dinamarca/Suécia, 1988) – De Bille August – A saga de dois emigrantes suecos (pai e seu jovem filho) que sonham melhorar suas vidas na Dinamarca, no fim do século XX, mas enfrentam a discriminação dos dinamarqueses. Com excelente fotografia e ótimo roteiro, a produção ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes; –Black Rain (Japão, 1989) – De Shohei Imamura – O drama e sofrimento de habitantes de Hiroshima com as sequelas da chuva radioativa resultante do bombardeio atômico em 1945. Filme ganhou o prêmio especial da comissão técnica no Festival de Cannes; –Gandhi (Inglaterra/Índia, 1982) – De Richard Attenborough – Grandiosa biografia épica de Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948), o extraordinário líder político e espiritual – adepto da não violência – que levou a Índia a libertar-se do domínio inglês. Perfeita atuação de Ben Kingsley no papel-título. Filme levou oito Oscar: filme, ator, diretor, roteiro, montagem, direção de arte, vestuário e cinematografia; –Danton – O processo da Revolução (França/Polônia, 1982) – De Andrzej Wajda – No quarto ano da Revolução Francesa, o líder popular Danton (1759-1794) questiona os excessos do regime do Terror que ajudara a implantar e entra em choque com seu amigo Robespierre (1758-1794). Magnífica atuação de Gérard Depardieu no papel principal; –O ataque (Holanda, 1986) – De Fons Rademakers – No final da Segunda Guerra, garoto de 12 anos sobrevive ao assassinato de sua família pelos nazistas. Dramática e longa exposição sobre as feridas que uma guerra pode provocar. Oscar de melhor filme estrangeiro; –Fanny e Alexander (Sue/Fra/Ale, 1982) – De Ingmar Bergman – As dores as alegrias e os tormentos de rica família sueca que se reúne para comemorar o Natal, vistas através dos olhos de duas crianças. Bela fantasia sobre a infância, de uma ternura pouco comum em filmes de Bergman. Acostumados ao ambiente liberal que imperava na casa, as crianças não escondem sua tristeza ao ver sua jovem mãe casar-se com um pastor protestante cruel e puritano, que passa a exigir rígidas regras de conduta. Oscar de melhor filme estrangeiro e César (França); –Gallipoli (Austrália, 1981) – De Peter Weir – Comovente drama baseado em fato real, conta a história de Archie e Frank, dois corredores australianos amigos que ingressam no exército, sem ter ideia do horror que seria a luta com os turcos na península de Gallipoli, durante a Primeira Guerra; –Cinema Paradiso (Itália, 1989) – De Giuseppe Tornatore – Cineasta de sucesso retorna à pequena cidade natal e recorda-se da infância e da adolescência, na Sicília. Prêmio do júri em Cannes e Oscar de melhor filme estrangeiro; –Kagemusha – A sombra do samurai (Japão, 1980) – De Akira Kurosawa – Criminoso é escolhido para tomar o lugar de poderoso chefe de clã falecido, a fim de evitar um ataque inimigo e, aos poucos, assume a personalidade do líder. Palma de Ouro em Cannes; –A noite de São Lourenço (Itália, 1982) – De Paolo e Vittorio Taviani – A heroica defesa dos singelos moradores de pequeno povoado da Toscana contra os invasores alemães, logo após a entrada da Itália na Segunda Guerra.

No Brasil, podemos destacar duas produções: –Cabra marcado para morrer (1984) – De Eduardo Coutinho – Iniciado em 1964, este filme foi interrompido pela censura e retomado em 1981; –Pixote – A lei do mais fraco (1980) – De Hector Babenco – A luta pela sobrevivência dos menores abandonados.




(Out/2016) - Cinema dos anos 1990: um computador na mão e uma ideia na cabeça – parte 1


Às vezes, você vai ao cinema ver um filme muito badalado e sai de lá achando que estava faltando algo mais? Que a coisa não era tão espetacular quanto a propaganda apregoava? Você está certo. O critério para classificação de filmes pode variar com notas que vão de um a dez, ou por estrelas que vão de um a cinco. Pois é, nas produções atuais, a rigor, não há mais filmes nota dez ou de cinco estrelas, porque muito raramente aparece um fora do comum. O máximo que eles alcançam, com muita benevolência, é nota 9, ou 4 estrelas, apesar da enorme tecnologia de que agora dispõem. Daí a frustração que acomete o bom espectador.

E o pior são aqueles espectadores que nunca viram coisa melhor e acham tudo ótimo – geralmente adoram filmes repletos de sexo, explosões, perseguições de carros, violência e efeitos especiais produzidos por computador, a moda atual. É a geração “pipoca e refrigerante”, alegria dos produtores que se dedicam a produções meramente comerciais.

O que é preciso que todos saibam é que um filme para ser nota dez (ou ter cinco estrelas) deve abranger certos aspectos fundamentais, que são: roteiro, argumento, produção, elenco e direção. Originalidade, conteúdo, estrutura, ritmo, criatividade, interpretação, iluminação, fotografia, trilha sonora, figurinos, cenários, montagem, efeitos especiais, fluência da narrativa, diálogos, maquiagem, tudo está contido nos cinco itens mencionados. Destarte, como quase não existem mais aqueles filmes “cinco estrelas” de antigamente (O tempora!), os festivais de cinema atuais limitam-se a premiar os melhores “quatro estrelas” do ano. Mas, com uma apurada pesquisa, é possível reunir filmes de boa qualidade que, certamente, constituem um bom entretenimento. Dentro desta conjuntura, destacamos oito produções acima da média:

–A lista de Schindler (EUA, 1993), de Steven Spielberg: adaptação do livro do escritor australiano Thomas Keneally (1935 - ): a história do industrial alemão que teria salvado mais de mil judeus poloneses do extermínio, empregando-os em sua fábrica. Grandiosa visão do holocausto judeu, ganhou sete Oscar: filme, roteiro adaptado, diretor, fotografia, direção de arte, montagem e trilha sonora original; –Dança com lobos (EUA, 1990), de Kevin Costner: western ecológico e a favor da cultura indígena. Jovem tenente da Guerra Civil Americana, com medo de amputar o pé após um acidente, se insere entre as tropas inimigas. Tido como herói, abandona a civilização e vai para território dominado pelos índios Sioux, onde faz amigos e, eventualmente, se torna um deles, com sensível mudança de seus conceitos sobre a vida. Sucesso de público, o filme ganhou sete Oscar: filme, diretor, roteiro adaptado, trilha sonora original, fotografia, montagem e som; –Titanic (EUA, 1997), de James Cameron: espetacular superprodução, conta a história de dois jovens apaixonados: ela da classe alta americana (Kate Winslet) e ele um passageiro da terceira classe (Leonardo DiCaprio), que, apesar das diferenças sociais, vivem um grande romance, a bordo da viagem inaugural do luxuoso e imponente transatlântico britânico R.M.S. Titanic, que se chocou contra um iceberg e afundou, na noite de 14 para 15 de abril de 1912, ao sul da Terra Nova, no Atlântico Norte. Efeitos especiais colossais mostram detalhes do drama e da angústia que teriam vivido os passageiros em sua luta pela sobrevivência. Grandiosos cenários e figurinos impecáveis. Ganhou, merecidamente, onze Oscar: filme, diretor, fotografia, montagem, efeitos especiais, trilha sonora, canção (My heart will go on), som, figurino, direção de arte e cenários; –Central do Brasil (BR, 1998), de Walter Salles: o arquipremiado filme brasileiro (mais de trinta prêmios em todo o mundo, entre eles o Urso de Ouro em Berlim e o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro) conta uma impressionante história sentimental entre uma professora aposentada que escreve cartas para iletrados e um menino de nove anos que teve sua mãe assassinada e quer encontrar seu pai, que está em remota região do sertão brasileiro; –Coração Valente (EUA, 1995), de Mel Gibson: drama épico, conta a história de sir William Wallace (1270-1305), que, em 1297, liderou a resistência aos ingleses, ganhando a batalha de Stirling, tornando-se herói da luta pela independência da Escócia. Leonard Maltin (in: Movie & Video Guide), diz: “Um poderoso, apaixonado filme sobre um poderoso, apaixonado homem”. Oscar de: filme, diretor, fotografia, maquiagem e efeitos sonoros; –Adeus, minha concubina (CHI/Hong Kong, 1993), de Chen Kaige: uma visão da história da China, ao longo da vida de dois atores da Ópera de Pequim; garotos, em 1924, na “Era do Grande Guerreiro”, são treinados para divertir o povo, numa disciplina que inclui castigos corporais; às vésperas da guerra entre a China e o Japão, em 1937, eles já são atores consagrados, devido à ópera Adeus, minha concubina. A ambígua e idílica amizade entre os dois sofre um abalo quando uma prostituta casa-se com um deles. A rendição dos japoneses, em 1945, e a entrada do Exército Popular de Libertação, em 1949, inauguram os tempos de repressão em Pequim; nessa época, eles se separam e seguem caminhos opostos. Com o início da Revolução Cultural, em 1966, a Ópera de Pequim é substituída por outros espetáculos, resultando, para os dois, os tempos de traição. Palma de Ouro em Cannes, Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e indicação ao Oscar.

(Continua na próxima edição do Tipo Carioca).




(Nov/2016) - Cinema dos anos 1990: um computador na mão e uma ideia na cabeça – parte 2


Continuando nossa lista, os dois últimos filmes de destaque são:

–Regras da vida (EUA, 1999), de Lasse Hallström: esta ótima adaptação do romance de 1985 de John Irving (1942-) mostra a história de um rapaz que deixa um orfanato onde cresceu e se depara com as incertezas do mundo adulto, nos anos 1940, com as mazelas da época: guerra mundial e crise econômica. Filme toca em temas polêmicos, entre eles o direito ao aborto. Concorreu a sete Oscar, ganhando o de melhor roteiro adaptado e o de ator coadjuvante (Michael Caine);

–Retorno a Howards End (ING, 1992), de James Ivory: baseado na obra de 1910 do escritor inglês E. M. Forster (1879-1970) – uma metáfora sobre o destino da nação inglesa às vésperas da I Guerra Mundial –, filme é bom em todos os níveis, mostrando o que acontece quando duas irmãs que vivem de herança passam a relacionar-se com uma família de rico comerciante. Os conflitos de classe social são bem retratados e o elenco é excelente, com destaque para as atuações de Emma Thompson (Oscar e Globo de Ouro de atriz) e Anthony Hopkins, no papel de um homem cuja aparência social oculta uma personalidade insidiosa e cruel. Filme ganhou também o Oscar de roteiro adaptado e o de direção de arte, além do prêmio especial do Festival de Cannes.

Entretando, parece mesmo que o jeito é nos contentarmos com os filmes atuais, uma vez que não mais existem filmes ‘5 estrelas’. Corroborando o que afirmamos, no 56o Festival de Cannes, realizado em 25 de maio de 2003, os jurados tiveram muitas dificuldades para eleger o ‘melhor’ filme. O ganhador da Palma de Ouro foi Elefante, do diretor norte-americano Gus Van Sant (1952-), que fora visto sem muito entusiasmo na primeira exibição para a imprensa.

Segundo Jaime Biaggio, em excelente artigo no jornal O Globo, “críticas positivas ou, ao menos, positivamente intrigadas que surgiram em jornais do mundo todo nos dias seguintes fizeram Elefante chegar com maior cartaz à reta final de um festival farto em (e de) filmes fracos”.

Conforme dissemos na parte 1 deste artigo, “os festivais de cinema atuais limitam-se a premiar os melhores ‘quatro estrelas’ do ano”. Pelo visto, até estes começam a rarear e, à falta de coisa melhor, os jurados de festivais talvez tenham de decidir, em breve, pelo “menos pior”. Nessa conjuntura, torna-se cada vez mais difícil a missão de um analista de cinema que se propõe a indicar aos seus leitores as melhores produções. Assim, procuramos, dentro do possível, selecionar filmes que tenham algum atrativo e fujam um pouco da mesmice reinante. Com relação à década de 1990, ainda conseguimos reunir uma boa quantidade de obras que podem constituir um bom entretenimento, com destaque para as oito produções citadas anteriormente.

Prosseguindo com nossa lista, temos:

–O silêncio dos inocentes (EUA, 1991), de Jonathan Demme: um suspense de primeira, com atuação excepcional de Anthony Hopkins, como o psicótico inteligente “Hannibal the Cannibal” Lecter, e de Jodie Foster, como a agente do FBI que vai entrevistá-lo. A produção levou os cinco principais Oscar: filme, direção, roteiro, ator e atriz;

–Tudo sobre minha mãe (ESP, 1999), de Pedro Almodóvar: dentro do espírito do “almodrama”, o diretor misturou boa quantidade de humor negro num drama que aborda uma história bem bizarra, e conquistou o prêmio de melhor direção no Festival de Cannes. Filme ganhou, ainda, o Globo de Ouro e o Oscar de melhor filme estrangeiro;

–Pulp fiction – Tempo de violência (EUA, 1994), de Quentin Tarantino: certamente, um dos mais importantes filmes norte-americanos de 1994, mas não indicado para todos os gostos. Prolixo, violento e agitado, é uma audaciosa história de gângsteres. Palma de Ouro em Cannes e Oscar de roteiro original;

–O piano (NZE/FRA, 1993), de Jane Campion: com seu peculiar estilo sutil, a premiada diretora neozelandesa nos mostra uma delicada fábula de amor e sexo, passada no final do século XIX. Filme ganhou o César (o Oscar francês) de melhor filme estrangeiro e o Oscar de roteiro original, entre outros prêmios. Se você gostar do estilo, veja também outro bom filme de Campion:

–Um anjo na minha mesa (NZE, 1990), baseado na autobiografia de uma das principais figuras literárias da Nova Zelândia, a escritora Janet Frame (1924-2004). O filme teve premiação em vários festivais e oito prêmios no Festival de Veneza, entre eles o do Especial do Júri;

–Beleza americana (EUA, 1999), de Sam Mendes: em 1999, os estúdios da Dream Works, de Steven Spielberg, conseguiram levar a melhor sobre sua rival, a Miramax, que em 1998 levou o Oscar, com Shakespeare apaixonado, deixando para trás o ótimo filme O resgate do soldado Ryan, tido como favorito. Spielberg apresentou o roteiro de Beleza americana – que considerava “perfeito” – a Mendes, diretor de teatro britânico, que aceitou dirigir esta atrevida tragicomédia, fazendo sua estreia como diretor de cinema. O título do filme, segundo Mendes, é uma alusão a uma rosa sem espinhos nem perfume, cultivada nos EUA, conhecida como “american beauty”. “Não há sentido na sua beleza, que se revela inútil e vulgar”, diz ele. O filme critica o “sonho americano”, mostrando, numa visão amarga e implacável, os conflitos, sonhos e desejos de uma família de classe média moradora nos ricos subúrbios americanos. Ganhou cinco Oscar: filme, diretor, ator (Kevin Spacey), roteiro original (Alan Ball) e fotografia;

(Continua na próxima edição do Tipo Carioca).




(Dez/2016) - Cinema dos anos 1990: um computador na mão e uma ideia na cabeça – parte 3


–O resgate do soldado Ryan (EUA, 1998), de Steven Spielberg: com uma antológica sequência inicial de quase trinta minutos (uma das mais realistas feitas no cinema), Spielberg retrata os horrores da batalha do Dia D (o desembarque das tropas aliadas na Normandia, em 6 de junho de 1944) e o drama de um capitão (Tom Hanks) e seu grupo de soldados, encarregados de localizar um colega de farda em território francês. Filme levou os Oscar de: edição, direção, fotografia, som e efeitos sonoros; –Filhos da guerra (ALE/FRA, 1991), da diretora polonesa Agnieszka Holland: jovem, consagrado como herói alemão, vive o drama de esconder sua origem judia. Filme ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, mas foi impedido, pelo governo alemão, de concorrer ao Oscar; –O paciente inglês (EUA, 1996), de Anthony Minguella: versão livre do romance de 1992 do escritor cingalês Michael Ondaatje (1943-), sobre um homem com sérias queimaduras e desmemoriado que sofreu um desastre de avião no deserto africano, durante a II Guerra Mundial, e é tratado por enfermeira canadense (Juliette Binoche), num mosteiro abandonado da Toscana, na Itália. Sua memória volta aos poucos e ele relembra as aventuras passadas no deserto, incluindo um romance adúltero. Ganhou nove Oscar: filme, diretor, fotografia, atriz coadjuvante (Binoche), som, direção de arte, figurinos, música e montagem.

O cinema brasileiro, dentro de suas limitações materiais e financeiras, também conseguiu produzir bons filmes nos anos 1990: Sábado (1995), de Ugo Giorgetti; Carlota Joaquina, princesa do Brasil (1995), de Carla Camuratti; Quem matou Pixote? (1996), de José Joffily; Como nascem os anjos (1996), de Murilo Salles; Amor & Cia (1998), de Helvécio Ratton; Um copo de cólera (1998), de Aluisio Abranches; Castelo Rá-Tim-Bum (1999), de Cao Hamburger; Hans Staden (1999), de Luiz Alberto Pereira.

Bem, já demos uma ideia sobre alguns filmes da década de 1990, que, a nosso ver, mereciam destaque. Como a quantidade de filmes considerados “4 estrelas” é muito grande, levaríamos muito tempo para falar de suas qualidades, o que poderia ocupar muito espaço. Optamos, então, por relacionar os que julgamos mais capacitados a proporcionar uma boa diversão, mencionando, para uma melhor decisão por parte do leitor, os respectivos diretores e prêmios conquistados. Cremos, assim, dar uma ideia panorâmica da cinematografia da época, com seus variados tipos de filme. A relação serve de base para estudiosos do cinema e cinéfilos de bom gosto. Deste modo, temos (em ordem alfabética): –A eternidade e um dia (GRE/FRA/ITA, 1998), de Theo Angelopoulos: Palma de Ouro em Cannes; –A história de Qiu-Ju (CHI, 1992), de Zhang Yimou: Leão de Ouro em Veneza; –A língua das mariposas (ESP, 1999), de José Luis Cuerda: prêmio Goya de roteiro adaptado; –A rainha Margot (FRA/ALE/ITA, 1994), de Patrice Chéreau: prêmio de melhor atriz em Cannes; –Aimée & Jaguar (ALE, 1999), de Max Färberböck: Urso de Prata para as protagonistas; –Almas gêmeas (NZE, 1994), de Peter Jackson: Leão de Prata em Veneza; –Assim é que se ria (ITA, 1998), de Gianni Amélio: Leão de Ouro em Veneza; –Caráter (HOL, 1997), de Mike Van Diem: Oscar de melhor filme estrangeiro; –Cyrano (FRA, 1990), de Jean Paul Rappeneau: prêmio de melhor ator, em Cannes, e indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro; –Delicatessen (FRA, 1990), de Jean-Pierre Jeunet: César de melhor filme estreante; –Despedida em Las Vegas (EUA, 1995), de Mike Figgis: Oscar de ator; –Deuses e monstros (EUA, 1998), de Bill Condon: Oscar de roteiro adaptado; –Drácula de Bram Stoker (EUA, 1992), de Francis Ford Coppola: três Oscar: figurino, maquiagem e edição de efeitos sonoros; –Em nome do pai (IRL/ING/EUA, 1993), de Jim Sheridan: Urso de Ouro; –Entre o inferno e o profundo mar azul (BEL/FRA/ING, 1995), de Marion Hänsel: menção em Cannes; –Europa (DIN/FRA/ALE/SUE, 1990), de Lars von Trier: prêmio do júri e de melhor contribuição artística no Festival de Cannes; –Fargo (EUA, 1996), de Ethan Coen: Palma de Ouro de direção e Oscar de roteiro e atriz; –Festa de família (DIN, 1998), de Thomas Vinterberg: grande prêmio do júri em Cannes; –Lanternas vermelhas (CHI/HON/TAW, 1991), de Zhang Yimou: Leão de Prata de direção; –Los Angeles – Cidade proibida (EUA, 1997), de Curtis Hanson: Oscar de roteiro adaptado e de atriz coadjuvante; – Mediterrâneo (ITA, 1991), de Gabriele Salvatores: Oscar de melhor filme estrangeiro e David de Donatello; –Melhor é impossível (EUA, 1997), de James L. Brooks: Oscar de ator e atriz e três Globos de Ouro; –Minha vida em cor-de-rosa (BEL/FRA, 1997), de Alain Berliner: Globo de Ouro; –Nenhum a menos (CHI, 1998), de Zhang Yimou: Leão de Ouro em Veneza e favorito da crítica em São Paulo; –O caminho para casa (CHI, 1999), de Zhang Yimou: Urso de Prata no Festival de Berlim; –O jarro (IRA, 1992), de Ebrahim Foruzesh: Leopardo de Ouro, e prêmio do júri em São Paulo; –O povo contra Larry Flint (EUA, 1996), de Milos Forman: Urso de Ouro e Globo de Ouro; –Ondas do destino (DIN, 1996), de Lars von Trier: grande prêmio do júri em Cannes e Félix de diretor e atriz; –Os bons companheiros (EUA, 1990), de Martin Scorsese: Oscar de ator coadjuvante; –Os miseráveis (FRA, 1995), de Claude Lelouch: Globo de Ouro; –Razão e sensibilidade (EUA/ING, 1995), de Ang Lee: Urso de Ouro e Globo de Ouro; –Segredos e mentiras (ING, 1996), de Mike leigh: Palma de Ouro em Cannes; –Todas as coisas são belas (SUE, 1995), de Bo Winderberg: Urso de Prata e indicação ao Oscar; –Todas as manhãs do mundo (FRA, 1991), de Alain Corneau: ganhador de sete César (o Oscar francês); –Underground (ALE/FRA/HUN, 1995), de Emir Kusturica: Palma de Ouro em Cannes; –Velocidade máxima (EUA, 1994), de Jan De Bont: Oscar de som e efeitos sonoros.




(Jan-Fev/2017) - Grandes cineastas brasileiros


Após darmos uma visão mundial da produção e da história do cinema em diversos países, abordaremos, agora , alguns aspectos do cinema no Brasil, começando com uma rápida visão de seus principais cineastas.

Com recursos financeiros limitados, mas muita imaginação, talento, criatividade e, sobretudo, idealismo, cineastas brasileiros marcaram presença na cinematografia mundial, conseguindo importantes prêmios.

O início das filmagens em nosso país, segundo a maioria dos pesquisadores, deu-se em 19 de junho de 1898, quando Afonso Segreto, chegando ao Rio de navio, rodou Fortalezas e navios de guerra na Baía de Guanabara. Segreto faria, ainda, cerca de sessenta filmes entre 1898 e 1901.

Outros pioneiros, como Mário Peixoto (1910-1991), que foi produtor, roteirista, diretor, argumentista e montador do seu famoso filme Limite (1929) e Humberto Mauro (1897-1983), que deflagrou o “Ciclo de Cataguases” – um dos maiores movimentos do cinema mudo – e dirigiu o clássico Ganga bruta (1933), seu primeiro filme sonoro, ajudaram a construir a história do cinema brasileiro. Seguiram-se-lhes cineastas de porte como:

– Alberto Cavalcanti (1897-1982) – Figura importante na revitalização e desenvolvimento da técnica de filmagem no Brasil;

–Nelson Pereira dos Santos (1928-) – Diretor, produtor e roteirista, com vários sucessos, entre eles: Rio 40 graus (1955); Vidas Secas (1963), um dos melhores filmes brasileiros de todos os tempos; o premiadíssimo Amuleto de Ogum (1974); Tenda dos Milagres (1976); Memórias do cárcere (1984), considerado uma lição de cinema e A terceira margem do rio (1994);

–Joaquim Pedro de Andrade (1932-1989) – Com ênfase na cultura brasileira, dirigiu Macunaíma (1969), Garrincha, alegria do povo (1963), O padre e a moça (1966), Os inconfidentes (1972) e O homem do pau-brasil, melhor filme do festival de Brasília (1981);

–Carlos (Cacá) Diegues (1940-) – Um dos mais ativos realizadores do Cinema Novo, priorizou a cultura negra com Ganga Zumba (1964), Xica da Silva (1976) e Quilombo (1984); dirigiu, ainda, Bye, bye, Brasil (1979) e o premiado Veja esta canção (1994);

–Leon Hirzsman (1937-1987) – Entre os teóricos do Cinema Novo, tem filmes dedicados ao drama urbano; dirigiu A falecida (1964), São Bernardo (1972), Que país é esse (1977) e o premiado Eles não usam black-tie (1981);

–Glauber Rocha (1939-1981) – Líder do Cinema Novo, abordou temas sociais em filmes reconhecidos internacionalmente, como: Deus e o Diabo na Terra do Sol (1963), Terra em transe (1967), O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969) e outros; seu último longa-metragem foi A idade da Terra (1980);

–Carlos Manga (1928-2015) – Grande diretor nos tempos da Chanchada (anos 1950) e grande incentivador de Oscarito (16 filmes), com destaque para Nem Sansão nem Dalila (1953), Matar ou correr (1954) e O homem do Sputnik (1959); levou sua experiência para a TV onde, a partir dos anos 1960, realizou ótimos trabalhos. Em 1975 fez uma antologia de trechos de filmes em Assim era a Atlântida, obra de importante valor histórico;

–Arnaldo Jabor (1940) – Outro dos participantes do Cinema Novo, diretor de longas a partir de 1970, com Pindorama; é o roteirista e diretor do premiado Toda nudez será castigada (1972), uma das melhores abordagens da obra de Nelson Rodrigues no cinema. Dirigiu, ainda, Tudo bem (1977), Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1985);

–Anselmo Duarte (1920-2009) – Ator e cineasta, ganhou a Palma de Ouro em Cannes com O pagador de promessas (1962). Dirigiu, também, Vereda da salvação (1965), Quelé do Pajeú (1970), Um certo capitão Rodrigo (1971) e O crime do Zé Bigorna (1977);

–Roberto Farias (1932-) – Realizador do clássico Assalto ao trem pagador e do político Pra frente, Brasil;

–Roberto Santos (1928-1987) – Dirigiu A hora e a vez de Augusto Matraga (1965);

–Tizuca Yamasaki (1949-) – De assistente de Nelson Pereira dos Santos (em O amuleto de Ogum e em Tenda dos Milagres) e de Glauber Rocha (em A idade da Terra) a produtora, escreveu e dirigiu Gaijin, caminhos da liberdade (1980), seu melhor filme, premiado em Havana;

–Carla Camurati (1960-) – Excelente atriz e uma grata surpresa como diretora em Carlota Joaquina, Princesa do Brazil (1995);

–Walter Salles (1957-) – Após fazer A grande arte (1991) e Terra estrangeira (1995), é o grande premiado do novo cinema brasileiro com Central do Brasil (1998), que ganhou o Globo de Ouro 1999, o Urso de Ouro 1998 e foi indicado para o Oscar, além de inúmeros outros prêmios. Em 2004, fez Diários de motocicleta.

Estes são alguns dos cineastas que deram sua contribuição decisiva para a evolução e o reconhecimento do cinema brasileiro. Inúmeros novos talentos continuam surgindo.




(Mai/2016) - O audacioso cinema sueco – parte 4 (final)


* JAN TROELL (1931-) – Autor de uma grande obra que desmistifica a história da povoação dos EUA, mostrando, em seis horas, a saga de uma família sueca pobre que foi tentar sobreviver na América. O filme é dividido em duas partes: Os emigrantes (1971) e O preço do triunfo (1972). Os emigrantes foi um dos cinco filmes estrangeiros que já concorreram diretamente ao Oscar de melhor filme, e não apenas de filme estrangeiro. Recentemente, fez Sonho gelado (1997), documentário premiado no festival de São Francisco e no de Valladolid, trata da viagem feita pelo explorador sueco August Andrée (1854-1897) que, em 1897, partiu para o Polo Norte num balão e nunca reapareceu;

* MAI ZETTERLING (1925-1994) – Atriz bonita e culta, resolve dirigir a partir de 1962. Em 1966, causa escândalo com seu filme Jogos da noite, indicado para o Leão de Ouro de Veneza, continuando, depois, a ser diretora de filmes nos quais o feminismo é o tema central;

* ALF KJELLIN (1920-1988) – Ator de Sjöberg, Molander e Bergman, com os quais ganhou experiência, dirigiu um dos mais belos filmes suecos em cores: O jardim dos prazeres (1960);

* ARNE SUCKSDORFF (1917-2001) – Um dos grandes documentaristas do cinema, escreve, monta, fotografa e dirige todos os seus filmes. Esteve no Brasil, em 1962, para dar um curso de cinema, que teve entre seus alunos os grandes diretores brasileiros Glauber Rocha, Arnaldo Jabor e Joaquim Pedro de Andrade.

Entre os poucos longas que realizou, destaca-se A grande aventura (1953), premiado no festival de Cannes e em Berlim.

Rodou, no Brasil, Fábula ou Meu lar é Copacabana (1965), filme dedicado às crianças das favelas do Rio de Janeiro. Deve-se a ele a descoberta do ator Cosme dos Santos, quando era um garoto pobre carioca, nos anos 1960;

* LASSE HALLSTRÖM (1940-) – Após um início de carreira na TV, dedicou-se ao cinema, com comédias tipicamente suecas, sem repercussão internacional. Sua melhor produção sueca foi Minha vida de cachorro (1985), interessante filme sobre crianças. Foi para os EUA, onde realizou Meu querido intruso (1991), uma comédia dramática sobre as relações familiares. Seguiram-se Gilbert Grape – Um aprendiz de sonhador (1993) e O poder do amor (1995), produções bem elaboradas.

Recentemente, destacou-se com Regras da vida (1999), adaptação de um romance de John Irving, celebrado escritor dos EUA; o filme concorreu a sete Oscar, ganhando o de melhor roteiro adaptado e o de ator coadjuvante (Michael Caine);

* LARS-MAGNUS LINDGREN (1922-2004) – Oriundo do cinema publicitário, teve um filme de grande sucesso: Caro João (1964);

* SVEN NYKVIST (1922-2006) – Parceiro de criação e o diretor de fotografia preferido por Bergman, é detentor de inúmeros prêmios na especialidade, inclusive dois Oscar de melhor fotografia por seu trabalho em Gritos e sussurros (1972) e em Fanny e Alexandre (1982).

Após trabalhar com renomados cineastas, como Polanski, Malle, Mazurski, Bob Fosse, Woody Allen e outros, realizou especiais e documentários para a TV, antes do seu primeiro longa, O boi (1992), indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro; o filme conta a chocante história de um camponês que mata boi do patrão para alimentar a família; é preso e, anos mais tarde, ao sair da cadeia, descobre que a esposa se prostituiu para poder alimentar a filha;

* DANIEL BERGMAN (1962) – Filho de Ingmar Bergman. Sua primeira obra de projeção internacional foi Crianças de domingo (1992). Seu filme Expectativas, um road-movie com várias histórias que se entrelaçam ao acaso, participou da 22a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em outubro de 1998.

Outros cineastas suecos que podemos citar são:

* HASSE EKMAN (1915-2004), com o filme O filho de Gösta Ekman;

* RAINER HARTLEB (1944-), com As crianças de Jordbro, melhor documentário na 20a Mostra Internacional de SP;

* BJÖRN RUNGE (1961-), com Harry e Sonja (1996);

* WILLIAM LONG, australiano radicado na Suécia, com Homem de visão (1997), prêmio de público em Amsterdã;

* SUZANNE ÖSTEN (1944-), com Um skinhead no divã;

* STAFFAN HILDEBRAND (1946-), realizador do filme dos 50 anos da ONU;

* BILLE AUGUST (1948-), nascido na Dinamarca, mas com muitas realizações na Suécia, com elenco sueco. Casado com a atriz sueca Pernilla August, de 1991 a 1997. Seu filme, Pelle, o conquistador (1987) ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o Oscar de melhor filme estrangeiro e prêmio Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro.

Alguns filmes suecos inéditos no Brasil foram exibidos, em março de 1998, na Sala Cinemateca Folha, em São Paulo. Entre eles, a comédia familiar Meu grande papai gordo, de KJELL-AKE ANDERSSON; o filme de estrada Sonhando com Rita, de JAN LINDSTROM; o policial Os caçadores, de KJELL SUNDVALL; e o drama espírita Agnes Cecília, de ANDERS GRONROS.




(Abr/2016) - O audacioso cinema sueco – parte 3


Continuamos a mostrar a filmografia de Ingmar Bergman, iniciada no número anterior deste jornal, além das de outros cineastas importantes:

* A fonte da donzela (1959) – Fábula ambientada na Suécia medieval sobre jovem que é violentada e morta. Seu pai encontra os algozes e os mata, nascendo, então, uma fonte no local onde ela morreu. A cena de estupro foi considerada muito violenta na época do lançamento do filme na América. A obra teve menção especial em Cannes e ganhou o Oscar de filme estrangeiro. Pode ser visto legendado em https://www.youtube.com/watch?v=v8CF3D6cFOc;

* Persona (1966) – Este filme, que no Brasil ganhou o estranho título de Quando duas mulheres pecam, é uma perturbadora investigação psicológica sobre o modo de agir humano. Atriz emudece em cena e recusa-se a falar daí em diante, pois acredita que estamos sempre representando aquilo que não somos. Marido contrata enfermeira psiquiátrica e uma tensão e inquisição vão caracterizar o contato entre as duas mulheres. A atriz recusa-se a continuar a exercer o papel duplo da verdadeira comédia humana que faz com que as pessoas tenham modos de agir diferentes em sua solidão (seus verdadeiros sentimentos) ou em público, quando são obrigadas a sorrir e agradar pessoas que podem lhes ser úteis profissionalmente, mas que gostariam de ver pelas costas;

* Gritos e sussurros (1973) – Vigoroso estudo sobre os sentimentos humanos a partir da história de mulher que está prestes a morrer e seu complicado relacionamento com suas duas irmãs e a criada. Obra que requer muita atenção do espectador para captar toda a significação das expressões dos enormes closes de bocas e olhos, que falam mais do que qualquer diálogo e que renderam o Oscar de fotografia para o inseparável diretor de fotografia de Bergman, SVEN NYKVIST. Ficou clássica a sequência em que a criada amamenta a doente, numa referência à Pietà (pintura ou escultura que representa a Virgem, tendo sobre os joelhos o Cristo morto);

* Cenas de um casamento (1973) – Os encontros e desencontros de um casamento em desintegração, numa visão apaixonada, honesta e investigativa do relacionamento humano;

* A flauta mágica (1975) – Magia e encantamento numa visão pessoal da ópera de Mozart: Pamina, filha da Rainha da Noite, é prisioneira do sumo sacerdote Sarastro. O jovem príncipe Tamino, com a proteção de sua flauta mágica e com a ajuda de três criadas da Rainha da Noite e de Papageno, o Caçador de Pássaros, vai à sua procura para libertá-la. A força do amor e a necessidade de solidariedade entre os seres humanos estão presentes neste filme que revelou o barítono Hagegard. Prêmio da Associação Nacional de Críticos dos EUA;

* Sonata de Outono (1978) – A confrontação emocional entre mãe e filha que se reencontram após mais de sete anos de ausência. Filme denso onde amarguras, velhos rancores, recriminações e cobranças afluem, travando-se verdadeiros duelos entre as protagonistas. Uma aula de arte dramática das atrizes Ingrid Bergman e Liv Ullmann;

* Fanny e Alexander (1982) – As dores, as alegrias, a exuberância e os tormentos de rica família sueca que se reúne para comemorar o Natal, vistas através dos olhos de duas crianças. Bela fantasia sobre a infância, de uma ternura pouco comum em filmes de Bergman. Acostumados ao ambiente liberal que imperava na casa as crianças não escondem sua tristeza ao ver sua jovem mãe casar-se com um pastor protestante cruel e puritano, que passa a exigir rígidas regras de conduta. Obra de arte de grande amplitude ganhou, merecidamente, o Oscar de filme estrangeiro, fotografia, figurino e direção de arte, além do César (França), Globo de Ouro de melhor diretor, e outros.

Após Fanny e Alexander, sua anunciada “aposentadoria”, Bergman, no entanto, não ficou parado. Dirigiu filmes para a TV sueca (um deles lançado em cinema no Brasil: Depois do ensaio, 1984) e duas peças para a Real Companhia de Teatro Dramático de Estocolmo. Em 1986, faz Retrato de Karin, dedicado às fotos de sua mãe. Em 1997, dirige Na presença de um palhaço. Foi roteirista, ainda, em: As melhores intenções (1992), de Bille August; Crianças de domingo (1992), de Daniel Bergman, seu filho.

* BO WIDERBERG (1930-1997) – Escritor e rancoroso crítico de Bergman, dirigiu, ao todo, 14 longas-metragens. O primeiro sucesso internacional veio com Elvira Madigan (1967), delicado filme sobre um amor impossível e que popularizou o Concerto no 21, para piano e orquestra, de Mozart. Com Adalen 31 (1969) ganhou o grande prêmio do júri em Cannes, premiação igualmente obtida com O desejo final (1971). Seu último filme, Todas as coisas são belas (1995), concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e ganhou o prêmio especial do júri, em Berlim; é a história de um adolescente de 15 anos seduzido por uma fogosa professora de 22;

* VILGOT SJÖMAN (1924-2006) – Uma sensualidade marcante e direta caracteriza seus filmes. Seu primeiro longa foi A amante sueca (1962), mas a grande obra foi Minha irmã, meu amor, já comentada anteriormente.

(Continua no próximo número do Tipo Carioca).




(Mar/2016) - O audacioso cinema sueco – parte 2


Grandes atores e atrizes foram produzidos pelo cinema sueco: Max Von Sydow, Gunnar Björnstrand, Ingrid Bergman, Ingrid Thulin, Bibi Andersson, Harriet Andersson, Liv Ulmann (de origem norueguesa), Eva Dahlbeck, Erland Josephson, Per Oscarsson e outros.

Greta Garbo (Greta Lovisa Gustafsson), nascida e revelada na Suécia, naturalizou-se como cidadã dos EUA, onde alcançou o sucesso, tornando-se uma das maiores estrelas do cinema. Relacionamos, a seguir, alguns diretores que ajudaram a fazer a história do cinema sueco e alguns de seus principais filmes:

* Mauritz Stiller (1883-1928) – Grande pioneiro do período áureo do cinema sueco, juntamente com Victor Sjöström. Começou a dirigir em 1912, mas seus primeiros filmes, assim como os de Sjöström, se perderam num incêndio nos depósitos da Svenska, em 1916. Destaque para: O tesouro de Arne (1919); Erotikon (1920); A saga de Gösta Berling (1924), seu último filme sueco. Rodou 43 filmes na Suécia antes de ir para os EUA. Lá, não conseguiu adaptar-se e, doente e desanimado, voltou à terra natal, morrendo pouco depois, aos 45 anos;

* Victor Sjöström (1879-1960) – Ator e diretor, abriu a idade de ouro do cinema sueco, a partir de 1912. Entre 1912 e 1915, dirigiu cerca de 30 filmes. Ingeborg Holm (1913), seu primeiro filme pessoal, potente drama naturalista, foi um dos poucos a escapar do incêndio da Svenska, em 1916. Principais títulos: Os proscritos (1917); A carruagem fantasma (1921), obra-prima disponível em vídeo (Continental); A prova de fogo (1921). Nos EUA, com o nome de Victor Seastrom, não teve uma boa carreira, destacando-se, apenas, Lágrimas de palhaço (1924) e Vento e Areia (1928). Atuou com sucesso em Morangos silvestres (1957), de Bergman, ganhando prêmios de melhor ator no festival de Berlim, em Mar del Plata e nos EUA (NBR);

* Gustav Molander (1888-1973) – Único sobrevivente do declínio artístico por que passou o cinema sueco após a emigração de Stiller e Sjöström, foi premiado no festival de Veneza com A mulher que vendeu a alma (1938).

* ALF SJÖBERG (1903-1980) – Experiente diretor de teatro, realizou alguns filmes de sucesso, como: Tortura de um desejo (1944), história de um professor sádico, de nome Calígula, e suas relações com as alunas. Grande prêmio no Festival de Cannes; Senhorita Júlia (1951), baseado no drama naturalista do escritor sueco August Strindberg (1849-1912), é um retrato da aristocracia decadente (jovem condessa deixa-se seduzir por criado numa festa de São João). Grande prêmio em Cannes;

* INGMAR BERGMAN (1918-2007) – Filho de um pastor luterano opressor, teve uma educação puritana, com rígidas regras de conduta. Em sua vida e em seus filmes procura opor-se ao que lhe foi ensinado na juventude. Sua obra aborda as indizíveis angústias do homem perante temas como a existência de Deus, o sentido da vida, o bem e o mal, crises psicológicas, a incomunicabilidade do ser humano. Seu envolvimento com o teatro desde estudante e a apreciação de clássicos do cinema sueco (Molander, Sjöström) deram-lhe o embasamento necessário a uma brilhante carreira cinematográfica. Após passar um tempo como roteirista da Svenska, faz seu primeiro filme: Crise (1945). Cenas de estupro (A fonte da donzela), masturbação feminina (O silêncio), frigidez (Face a face), erotismo (Mônica e o desejo), afetação (Sorrisos de uma noite de verão) etc., presentes em alguns de seus filmes, trouxeram-lhe problemas com as censuras. Mestre inconteste, sua importância para o cinema pode ser medida pela reverência de seus colegas de profissão e pela coleção de prêmios recebidos em festivais do mundo inteiro. Entre seus mais notáveis filmes, temos:

–Sorrisos de uma noite de verão (1955) – Sensual, inteligente e hilariante comédia romântica – inspirada na peça de Shakespeare – que tornou o cineasta conhecido mundialmente. Uma ciranda de paixões numa fazenda do interior, no final do século XIX. Premiado em Cannes na categoria “melhor comédia poética”;

–O sétimo selo (1956) – O encontro de um cavaleiro, que acaba de chegar das Cruzadas, com a Morte, à qual propõe um jogo de xadrez para ganhar tempo. Belíssima alegoria cuja riqueza temática (o silêncio de Deus; a inevitável finitude humana) deu fama a Bergman. Um dos mais belos filmes da história do cinema, premiado merecidamente com o Grande Prêmio do Júri, em Cannes;

–Morangos silvestres (1957) – Linda análise da velhice e da tendência do homem para recordações. Velho professor aposentado (interpretado com brilhantismo por Victor Sjöström) relembra as alegrias e tristezas de sua vida, ao viajar de volta à cidade natal para receber uma comenda. Filme sério e complexo, com muitas sutilezas psicológicas, ainda hoje é estudado por cineastas de todo o mundo. Prêmios: Urso de Ouro em Berlim, grande prêmio do júri em Mar del Plata, crítica em Veneza, Globo de Ouro de melhor diretor, e outros.

(Continuaremos, no próximo número do Tipo Carioca, a mostrar a fecunda filmografia de Bergman).




(Jan-Fev/2016) - O audacioso cinema sueco – parte 1


O cinetoscópio, aparelho de visão individual patenteado em 1891 por Thomas A. Edison (1847-1931), chegou à Suécia em fevereiro de 1895. Um ano depois, na feira industrial de Malmö, o cinema é apresentado aos suecos. Em 1897, na Exposição Nacional de Estocolmo, Georges Promio, destacado operador dos Irmãos Lumière, filma A chegada do rei Oscar II à inauguração da exposição. Outros documentários seriam feitos em seguida pelo operador sueco Florman, sob o nome de “Imagens suecas”, iniciando-se, assim, com documentários, o cinema no país.

O desenvolvimento viria a partir de 1905, época em que Charles Magnusson funda a AB Svenska Biografteatern, produz um média-metragem (O povo de Värmland, 1909) e lança, em 1912, dois realizadores extremamente originais e que tiveram destaque mundial: Mauritz Stiller e Victor Sjöström. Em filme de Stiller, A saga de Gösta Berling (1924), é revelada a atriz Greta Garbo, encontrada por ele numa escola do Stockholm’s Royal Dramatic Theater.

Embora com uma produção limitada, o país procura produzir obras importantes que possam concorrer internacionalmente, voltando-se para os temas clássicos, baseados em obras dos escritores Selma Lagerlöf (1858-1940), a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura (1909), e August Strindberg (1849-1912), autor do primeiro romance naturalista sueco (O quarto vermelho, 1879).

Gustav Molander, ex-roteirista de Stiller e de Sjöström, torna-se um prolífico realizador. Entretanto, nem tudo seriam flores... Aproveitando-se da crise econômica que abalou o cinema sueco a partir de 1923 e consciente do avanço que ele tinha atingido, a MGM, mediante atraentes contratos, leva para Hollywood, em julho de 1925, os dois grandes cineastas Stiller e Sjöström, além da promissora atriz Greta Garbo. Sem estes importantes nomes, a Suécia volta-se para a produção interna durante cerca de 15 anos, salvando-se, apenas, parte da obra de Molander, que abordou a luta dos brancos e dos vermelhos na Finlândia, na pós-revolução de 1927, em: Uma noite (1931) e fez o lançamento de Ingrid Bergman (Em Intermezzo, uma história de amor, 1936), escolhendo para roteirista um iniciante de nome Ingmar Bergman...

Os primeiros sinais de um renascimento surgem em 1940, com Alf Sjöberg, abordando temas atuais e mais graves. Seu filme Tortura de um desejo (1944), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, 1946, com roteiro de Ingmar Bergman, já anuncia as novas tomadas de posição sociais.

A forte personalidade de Bergman logo se impõe e, a partir de 1945, ele começa a construir uma importante obra, que alcança a universalidade pela profundidade de seus temas.

Juntamente com o renome internacional de Bergman, surgiu, por volta de 1960, uma nova e agitada geração, totalmente ateia, voltada principalmente para o realismo concreto imediato em vez de abordar as situações morais e metafísicas. Era uma espécie de “cinema novo”. Bo Widerberg, então crítico de cinema, publica texto em que aponta o divórcio dos filmes suecos com a realidade; com o livro Visão do cinema sueco, denuncia o domínio sufocante da indústria sobre a arte cinematográfica e o monopólio exercido por Bergman.

Impuseram-se, ainda, no período: Vilgot Sjöman, Jan Troell, Mai Zetterling e outros. Passaram a ser abordados temas audaciosos, sexuais, de conteúdo político, sobre a condição da mulher etc.

A audácia no plano sexual ajudou a consolidar a reputação erótica do cinema sueco, já presente em filmes como: O capataz (1912), primeiro filme de Sjöström; A última felicidade (1951), de Arne Mattson (1919-1995), que revelou a nudez de Ulla Jacobson, em uma cena considerada ousada para a época. O silêncio (1963), de Ingmar Bergman e Caro João (1964), de Lars Magnus Lindgren (1922-) seguem o mesmo caminho.

Uma sexualidade aberta pode ser vista em filmes como: Sensualmente sueca (1967) e Sob as carícias do vento nu (1969), de G. Hoglund; Amar (1964), de Jörn Donner.

Tabus e perversões sexuais aparecem em filmes como: Minha irmã, meu amor (1966), obra-prima de Vilgot Sjöman, baseada na peça do dramaturgo inglês John Ford (1586-1639): Pena que ela seja uma prostituta, escrita entre 1625 e 1634; e em Jogos da noite (1966), de Mai Zetterling.

O melhor enfoque dos problemas sexuais, sob o ponto de vista psicológico, político e social, aparece na obra de Sjöman, como em: Eu sou curiosa (1967-1968) e Feliz Páscoa (1970).

O cinema sueco também abordou temas relacionados à política mundial e alguns voltados para a evocação de fatos históricos, como: Desertor, E.U.A. (1968), sobre o Vietnam; Made in Sweden (1969), sobre os países subdesenvolvidos; Os emigrantes (1970), sobre um grupo de emigrantes suecos nos EUA, por volta de 1850; O amor sem uniforme (1966), que trata da neutralidade da Suécia durante a guerra; Os fogos da vida (1966), que aborda as lutas sociais no início do século XX; Arquitetura da destruição (1991), impressionante documentário de Peter Cohen (1940-), que explica o nazismo sob o ponto de vista estético: Hitler, um artista frustrado e rejeitado, aos 18 anos, pela Academia de Artes de Viena, decide fazer um mundo perfeitamente equilibrado. O filme procura mostrar que o nazismo foi resultante de uma obsessão artística de Hitler. Deu no que deu...

(Continua no próximo número do Tipo Carioca).




(Dez/2015) - A época de ouro do cinema soviético


Em 1919, após a afirmação de Lênin que a mais importante de todas as artes era a cinematográfica, o poder vigente na Rússia convocou artistas para colocar sua arte e sua câmera a serviço da revolução. Deixando de lado melodramas e fantasias, priorizou-se a criação de filmes épicos, de caráter educativo e histórico, baseados nas mudanças sociais ocorridas após 1917 no país.

Destacaram-se como grandes cineastas do período:

* Kulechov (Lev Vladimirovitch (1899-1970) – Um dos fundadores do cinema soviético. Pesquisou a montagem dinâmica. Sua teoria é a de que a força principal de um filme está na sua montagem. Por ela, pode-se modificar, destruir ou reconstituir a matéria-prima cinematográfica. Foi professor do Instituto do Cinema e fundador do Laboratório Experimental. Sua obra influenciou vários cineastas. Teve como principais filmes: O projeto do engenheiro Pright (1918), As estranhas aventuras de mr. West no país dos bolcheviques (1924), Dura lex (1926) e Horizonte (1933). Publicou: A arte no cinema (1929) e Os fundamentos da realização fílmica (1941);

* Dziga Vertov (1895-1954) – Tido como o mentor intelectual do cinema socialista, teorizou o “Cine-olho” (Kino-Glaz), forma de cinema que proclamava a superioridade do olho mecânico da câmera, dando uma visão objetiva da realidade, depois recriada pelo cineasta através de montagem. Seu principal filme foi Um homem com uma câmera (1929). Realizou, ainda, A sexta parte do mundo (1926); A sinfonia de Donbass (1930), uma homenagem aos mineiros; Três cantos sobre Lênin (1934), obra de exaltação;

* Eisenstein (Serguei Mikhailovitch (1898-1948) – Começou a fazer cinema por volta de 1923. No início, foi influenciado pelas teorias do Cine-olho. Gradativamente, porém, quebrou as resistências do doutrinário modelo imposto pelo realismo socialista.

Sua teoria da “Montagem das atrações” (onde há a fusão de duas imagens, criando uma terceira no inconsciente do espectador), a relação que estabeleceu entre som e imagem e sua estética cinematográfica tiveram influência em obras de cineastas do mundo inteiro, como Welles, Godard, Brian de Palma e Oliver Stone.

Em seu primeiro filme, A greve (1924) já demonstrava sua teoria. Em seguida, faz O encouraçado Potemkim (1925), episódio verídico sobre a revolução de 1905; o célebre motim do encouraçado e a fuzilaria nas escadas do porto de Odessa. Outubro (1928), também conhecido como Dez dias que abalaram o mundo é considerado o símbolo cinematográfico da revolução. Em 1929, fez A linha geral (ou O velho e o novo). Em 1930, partiu para os EUA. Em Hollywood, teve seus planos recusados. No México, não conseguiu realizar Que Viva México! por causa de graves divergências com o produtor.

Voltou à Rússia em 1932, época em que os artistas estavam condicionados aos novos princípios do realismo socialista. Tentou rodar O prado de Bejin (1935-1937), mas a filmagem foi interrompida pela direção do cinema soviético, por desagradar ao governo.

Em 1938, já com o apoio do governo, realizou Alexander Nevski, épico notável, considerado uma das maiores obras-primas do cinema.

O projeto mais ambicioso de sua carreira foi Ivan, o terrível (1942-1946), filme em três partes, sobre o czar Ivan IV, mas que teve apenas duas partes concluídas: a primeira, sucesso de público, e a segunda, proibida na URSS de 1946 a 1958 (Stalin não concordou com o modo pelo qual o czar foi mostrado: débil e hesitante).

Eisenstein, vítima de uma crise cardíaca em 1946, renuncia às filmagens e morre em 1948, sem terminar a terceira parte do filme;

* Vsevolod Pudovkin (1893-1953) – Trabalhou com Kulechov, em 1922, no Laboratório Experimental. Sua teoria é a de que o filme não é “rodado” e, sim, “construído”, através da montagem, para que sua essência não seja fotográfica, mas fílmica.

Fez uma trilogia sobre a tomada de consciência revolucionária: Mãe (1926) - Inesquecível adaptação do livro de Gorky e, segundo muitos, situado entre os dez maiores filmes de todos os tempos; O fim de São Petersburgo (1927) e Tempestade sobre a Ásia (1928). Dirigiu, ainda, Um simples caso (1930), O desertor (1933), Almirante Naklimov (1947) e A colheita (1953).

Outro importante cineasta foi Dovjenko (Aleksander Petrovich (1894-1956). Considerado o poeta da revolução nas telas, exaltou o lirismo, a natureza e a crença no novo homem, gerado pelo regime. Seu filme mais notável é A terra (1930), que serve de exemplo como conseguia combinar o comunismo com uma visão pessoal da luta pela sobrevivência. Fez, também, Zvenigora (1927), Arsenal (1929), Aerograd (1935), Shchors (1939) e Michurin (1948).

Além dos filmes mencionados no período, destacaram-se:

–Andrei Roublev (1966) – Dirigido por Andrei Tarkovsky;

–Guerra e paz (1968) – Sergei Bondarchuk;

–The overcoat (1959) – Alexei Batalov.





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