MARINHA
Fujo da Morte. Não
memorizo.
Ainda estás longe:
encolerizo-me
Ah, meu poema como
te aspiro
Cochilo? Dormito?
Só te respiro.
À dor vou ninando.
Não sintonizo,
Eu capitulo. Estou
sem capítulo.
Então já sei: “CAPITU”
LIZO-ME.
Liquidifico-me. Sensibilizo-me
Senilinizo-me? Rápida,
passo-te à língua
Tranqüilizada estou
a lingüística.
Então incluo-me onde
nem fui chamada
Nem condecorada, nem
distinguida,
Entregar-me-ei célere,
sonâmbula, ao sertanista?
Colarei selos, filatelista?
Multiplicarei careca,
por quem produzida?
Nem estou edificada,
nem concluída.
Por que demoras, água
tranqüila?
Por que demoras, água
tranqüila?
Meus tetos e barcos
não partem nem singram
Só o verão adentra-me,
e é meu Vinícius
Um filme: pequena
chave de meus enigmas,
Quero bom término,
final feliz
Quero poder não mais
estar esfíngie
Como demoras, água
tranqüila
Teu chegar manso,
ao poema MARINHA
Fujo da morte. Passo-te
à língua.
(Juju Campbell)
SPAGHETTI AO ÓLEO
E CREME
À ANTONIO HOUAISS
Rendimento duas porções
ingredientes:
massa – 70kg mais
ou menos
(pelo menos de acordo
com a conveniência)
alguma ciência na
pimenta – rose, é claro!
(aos dizeres e suspiros)
confiro pitadas de
suor
(sal e açúcar vão
bem)
além de ovos gordinhos
(frescos e novinhos)
gim ou vinho
ou leite deite
(até aguardente serve
para amaciar)
ah!
cogumelos flambados
no ponto
modo de preparar:
1. coloque tudo,
mas tudinho, com cuminho
em cima de lençóis
acetinados
(algumas vezes mudam-se
os recipientes)
óleo-gel abundante
(no exato instante)
mexendo sempre
(sempre que se fizer
necessário)
2. enxágüe e acrescente
naturalmente
mais óleo
(para ficar bem soltinho)
3. ponha o spaghetti
e cogumelos (com carinho)
batendo os ovos, o
creme
sinta a consistência
(não se esqueça
dos temperinhos)
4. misture na caçarola
(algumas vezes mudam-se
os recipientes)
5. sirva bem quente
experimente antes
porém
a textura do spaghetti
(rígido ao começo
avesso e flexível
ao creme)
esprema e escorra
não corra
bom apetite...
facilite
(Sérgio Gerônimo
– presidente da Apperj)