CÂNTICO
AO SOL
Quando
o Sol desponta, nascendo para o dia, canto.
Dissipam-se
desditas, enfileiradas sombras vão sumindo.
Apresento-me
ao mundo de braços abertos. Rindo
ao
ver desabrochar a inocência, sem rumor de pranto.
Quando
o Sol brilha sobre o céu azul, tal qual um manto
de
luz dourada, desdobrando em claridade o firmamento.
Corro
em alamedas de flores multicores, ó encantamento
e
o pensamento acompanha a aurora no manifesto santo.
Quando
o Sol esclarece as trevas me alegro tanto,
passo
a limpo o caminhar, bendigo os dons que recebi,
de
joelhos agradeço, enternecida, os dias que vivi
e
novas estradas percorro em busca de encanto.
Quando
o Sol no horizonte desce, eu já não me espanto.
Sem
o anoitecer não há o novo dia. Tudo é tão breve.
O
amanhecer é abraço de esperança, beijo de brisa leve,
translação
de almas caminhantes da luz, em canto.
Luciene Freitas
BONECA DE PANO
Boneca de pano,
molinha, fofinha.
Esquecida num canto,
sujinha, sozinha.
Ninguém te procura
boneca de pano,
nem brinca contigo
já faz tantos anos.
Quantas vezes apertadinha
dormias no mesmo leito.
Ficavas tão caladinha
bem juntinho do meu
peito.
Da menina que cresceu
tão longe do coração.
E da vida que viveu
refletes a emoção.
Da esquecida bonequinha
foram-se os antigos
laços.
Quem sabe, outra menininha
ainda te leva nos
braços?
(Luciene Freitas
– do livro Brincando só)