O RISO
O riso, vagabundo,
no horizonte
se esboroa. Por vez,
acompanhado.
Noutras, indo-se embora,
abandonado,
o riso de bigode em
preto e branco.
O riso traz canções
inesperadas,
danças onde o precário
se equilibra.
Oscila o mundo em
suas mãos. Esquivos,
abrem-se os olhos
de quem não o ama.
O riso em tantas formas
de enganar:
na penúria, o cordão
vira espaguete
e o amigo, assim que
sóbrio, se desfaz.
Rosto de giz debaixo
da cartola,
o riso sem palavras.
Enternecem
os pés. Que insistem
em levá-lo embora.
Maria Thereza
Noronha
POR QUÊ?
Por que a flor murcha,
se ela aberta oferece
tanta beleza aos nosso
olhos?
Por que a chuva é
triste,
se ela faz tanto bem
à terra?
Por que o desligar
de um telefone,
se um “bom papo”
alivia qualquer tensão?
Por que a fossa a
machucar corações,
se a vida a dois é
muito mais
agradável e interessante?
Por que alimentar
tristezas,
se é bem melhor nutrir
alegrias?
Por que a lágrima
seca,
se ela está lavando
a dor da nossa alma?
Por que a criança
chora ao nascer,
se ela vem conhecer
o mundo?
Por que choramos quando
perdemos um ente
querido,
se ele vai se encontrar
com Deus?
Por que não posso
responder a nenhuma dessas
perguntas,
se elas se perdem
no ar?
Solto-as...simplesmente...dispersivas
pelo
Universo sem fim...
Denise da Costa
Teixeira