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Paulo Sérgio Valle

Vacilos 

Hoje vou falar de três grandes vacilos: outro dia, eu estava vendo uns videoclipes na televisão, e passou um da Shakira, que aliás está fazendo o maior sucesso nos Estados Unidos. A colombiana já está quase no nível de popularidade da Norah Jones e da Britney Spears. O clipe é fantástico, muito bem feito, a música é boa, e Shakira tornou-se sensual e bonita. E pensar que, quando a conheci, ela era uma garota sem graça, meio cafoninha, e embora tivesse boa voz era exagerada e “over”. Isso aconteceu no Festival de Viña del Mar, no Chile, onde eu e meu parceiro Chico Roque concorremos e, se não me engano, obtivemos o terceiro lugar. Chico Roque, que  além de compositor e cantor  é produtor, iniciou uma episódica amizade com Shakira que,  ao fim do festival, convidou-o a produzir o seu próximo disco. E não é que o meu parceiro declinou do convite, achando que não ia dar em nada? Eu sei que a moça estava começando, que era apenas uma cantante de Barranquilla ou Bogotá, sei lá, mas que mancada deu o Chico. Se ele tivesse aceitado, seria hoje um produtor de prestígio no mundo todo.

Outro grande vacilo ocorreu aqui no Brasil, com o mexicano Luis Miguel, o grande cantor de boleros clássicos. Luis Miguel, lá pelos anos 1990, ia com seu pai, todas as semanas, a uma famosíssima gravadora suplicar para gravar um álbum. E a companhia, embora recheada de gente experiente, não se interessou. Claro que não se poderia prever o magnífico futuro do mexicano, mas, afinal, eu me pergunto: para que serve essa gente nas gravadoras? Será que ninguém se deu conta que estava diante de um cantor de voz extraordinária, e que o projeto do rapaz de gravar um disco de boleros tinha tudo para ter êxito?

Resultado:

Luis Miguel gravou no México, estourou no mundo todo, vendeu mais de dez milhões de discos, casou-se com Mariah Carey, descasou-se, tornou-se um ídolo. Tivesse gravado no Brasil, certamente haveria algumas músicas brasileiras entre La Barca, El Reloj, La Puerta e outros belos boleros. Perdemos todos pela incompetência de alguns.

Outra escorregada foi a que deram com os Mamonas Assassinas. O demo dos caras rolou por várias gravadoras e ninguém acreditou. Foi descartado como coisa inútil, até que algum bom profissional teve a percepção de que era um produto extremamente popular e capaz de êxito. E foi o que se viu...

Ainda bem que na maioria das vezes os jovens artistas acabam encontrando quem acredite neles.

Mudando de assunto, e sem vacilo, eu e minha mulher estamos viajando de bicicleta pela Irlanda. Na volta, conto tudo.

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