Nelson Barboza
O GLOBO
DE OURO – VI
Continuamos nosso
artigo do mês anterior sobre os ganhadores do Globo de Ouro (Golden
Globes), o mais importante prêmio de cinema dos EUA, depois do Oscar:
– 1964 – Drama: – Becket. Direção de Peter
Glenville. Após a morte do arcebispo de Canterbury, Teobaldo, em 1161,
o rei Henrique II (1133-1189) nomeia, em 1162, seu amigo de farras Thomas
Becket (1118-1170) para o cargo, acreditando que o nomeado, ao contrário
de seu predecessor, iria ser favorável ao governo nas divergências
com a Igreja. Mas seu antigo amigo revela-se bem mais rígido e transforma-se
no mais sério e ativo defensor dos interesses e da liberdade da Igreja,
se opondo mais ao rei do que os prelados que o antecederam. Filme ganhou
o Oscar de melhor roteiro adaptado, e Peter O’Toole levou o Globo
de Ouro de melhor ator-drama, por sua interpretação como Henrique
II. Thomas Becket foi canonizado em 1173, três anos após sua morte,
pelo papa Alexandre III;
– Musical ou
comédia: – Minha bela dama. Dir. de George Cukor. Agradável
versão musical da peça Pigmalião, de George Bernard Shaw (1856-1950),
encenada em 1913 e publicada em 1916. É a história de um professor
de fonética que, a fim de ganhar uma aposta, treina uma humilde e ignorante
florista para tornar-se uma dama da sociedade. Ganhou oito Oscar, incluindo:
filme, diretor, ator (Rex Harrison), fotografia, figurinos, trilha sonora
adaptada (Andre Previn) e direção de arte;
– Samuel Goldwyn
International Award: – Matrimônio à italiana. Direção
de Vittorio De Sica. Engraçada e comovente história de amor que começa
em Nápoles, em plena Segunda Guerra Mundial, época de comida escassa
e muitos bombardeios. Com interpretação segura da dupla de sucessos
Sophia Loren e Marcello Mastroiani, que já havia sido dirigida por
De Sica em Ontem, hoje e amanhã (1963) e que, posteriormente,
atuou em Os girassóis da Rússia (1970), de De Sica, e em
Um dia muito especial (1977), de Ettore Scola, o filme conta a história
de uma bela prostituta que se retira da profissão ao apaixonar-se por
um esperto comerciante, que a leva para viver com ele, mas nunca assume
um compromisso matrimonial. E o negócio dela era casar...
– 1965 –
Drama: – Doutor Jivago. Dir. de David Lean. Baseado no
best seller homônimo de Boris Pasternak (1890-1960), cuja
publicação fora interditada na Rússia, mas apareceu na Itália em
1957, e levou, em 1958, o prêmio Nobel de Literatura, filme conta a
odisséia de um médico e poeta aristocrata de ideais liberais, durante
a I Guerra Mundial e os primeiros anos da Revolução Russa, quando
se apaixona pela mulher de um líder soviético. Filme ganhou cinco
Oscar, inclusive o de roteiro;
– Musical ou
comédia: – A noviça rebelde. Dir. de Robert Wise. Às
vésperas da II Guerra Mundial, noviça sai do convento para ser governanta
e cuidar dos sete filhos de severo aristocrata austríaco antinazista.
Acaba se apaixonando e casando com ele. Os filhos se tornam um conjunto
vocal famoso, mas têm de escapar da Áustria após a Anexação (o
filme é baseado na vida real da família Von Trapp, que saiu da Áustria
em 1938, para escapar dos nazistas). Embora um tanto piegas, há que
se ressaltar a trilha sonora de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein
II, romântica e agradável. Oscar de filme, direção, trilha sonora
adaptada, montagem e som;
– Filme estrangeiro:
– Julieta dos espíritos. Dir. de Federico Fellini. Primeiro
longa em cores de Fellini, ganhador do Leão de Prata em Veneza e eleito
o melhor filme estrangeiro do ano pela Associação dos Críticos de
Nova York. Acreditando que seu marido a trai, mulher entra em crise
existencial e passa a ter alucinações. Por meio de viagens oníricas
pelo passado, procura elucidar o mistério de seus fantasmas;
– Filme estrangeiro
de linguagem inglesa: – Darling, a que amou demais. Dir.
de John Schlesinger. Ganhador do Oscar de roteiro, de figurinos, e de
melhor atriz para a protagonista Julie Christie, filme mostra a história
de jovem, atraente e bela modelo decidida a tornar-se rica e famosa,
não hesitando em usar os homens à sua volta para atingir seus objetivos.
– 1966 –
Drama: – O homem que não vendeu sua alma. Dir. de Fred
Zinnemann. Baseado na obra de Robert Bolt, Um homem para todas as
estações (1961), sobre a vida de Thomas More. Acreditando que
sua mulher, Catarina de Aragão, não seria capaz de gerar um herdeiro
à Coroa, o rei Henrique VIII decide romper com a Igreja e se divorciar
para se casar com Ana Bolena, mas Thomas More, seu chanceler, mantém-se
fiel a seus princípios e, corajosamente, recusa-se a apoiar a decisão.
Ganhador de seis Oscar: filme, diretor, ator (Paul Scofield, como More),
roteiro, fotografia e figurinos;
– Musical ou
comédia: – Os russos estão chegando! Os russos estão chegando!
Dir. de Norman Jewison. Divertida sátira à Guerra Fria. Doido para
conhecer a América, comandante russo encalha seu submarino próximo
às costas da Nova Inglaterra, causando pânico coletivo na população,
que julgava estar sendo invadida;
– Filme estrangeiro:
– Um homem, uma mulher. Dir. de Claude Lelouch. Um clássico
do cinema romântico, que levou, além do Oscar de filme estrangeiro
e roteiro original, a Palma de Ouro em Cannes. Mostra o romance de dois
viúvos e com filhos, em busca de outra oportunidade para serem felizes;
– Filme estrangeiro
de linguagem inglesa: – Como conquistar as mulheres. Dir.
de Lewis Gilbert. Atuação marcante de Michael Caine como um típico
motorista londrino que não consegue resistir a um rabo-de-saia. As
conquistas efêmeras levam-no a questionar seu modo de vida. A impressionante
canção-título (Alfie) é, até hoje, sucesso internacional.
– NOTA:
alguns títulos deste artigo foram extraídos do meu livro Cinema
– Arte, Cultura, História, uma síntese dos melhores filmes
e da história do cinema mundial, já à venda por intermédio da redação
do jornal Tipo Carioca.
(Continuaremos no
próximo número deste jornal).