Nelson Barboza
O GLOBO DE OURO (FINAL) E VENCEDORES DO OSCAR 2006
Após 17 meses de informação sobre os ganhadores do Globo de Ouro (Golden Globes), chegamos, finalmente, às suas mais recentes premiações, que aconteceram na cerimônia de 15 de janeiro de 2007, no Beverly Hilton Hotel, na Califórnia:
– 2006: – Drama: – Babel. Dir. Alejandro González Iñárritu. Com um título derivado da história bíblica sobre a Torre de Babel, o cineasta Iñárritu (de Amores brutos-2000 e 21 gramas-2003) fez um filme com quatro histórias pessoais, que se cruzam em quatro países, três continentes e cinco idiomas. A ação começa no deserto de Marrocos, onde um pastor de cabras compra um rifle Winchester para atirar em chacais predadores e o deixa com seus dois filhos jovens. Os meninos atiram contra um ônibus de turistas, e uma bala atinge uma americana que estava viajando com seu marido. A partir daí, temos marido desesperado, incidente internacional, empregada atravessando fronteira mexicana com os filhos do casal, e, até em Tóquio, o drama de jovem surda-muda, após morte da mãe por suicídio. As histórias, entremeadas com competência, constituem o universo de Babel, num crescente suspense e chocante painel sobre a incomunicabilidade. Filme ganhou o Oscar de trilha sonora.
– Musical ou comédia: – Dreamgirls – Em busca de um sonho. Dir. Bill Condon. Prato feito para quem gosta de música americana da década de 1960, gritada ou cantada. Versão cinematográfica de um musical da Broadway, de 1981, inspirado na banda The Supremes, onde surgiu Diana Ross, que aqui seria “Deena Jones”, interpretada por Beyoncé Knowles. Há semelhanças e divergências nos fatos relacionados ao trio ficcional do filme (The Dreamettes) e o real The Supremes. Digamos que é uma ficção com algumas verdades e mentiras, que, aliás, não agradaram à musa Diana Ross, pois, no Late Show de David Letterman, ao responder se havia visto o filme, deu uma resposta irônica: – “Ainda vou assistir. Com meus advogados”. Eis a síntese do filme: não se pode acreditar em tudo que ali está. Afinal, é uma ficção...
– Filme estrangeiro: – Cartas de Iwo Jima. Dir. Clint Eastwood. Segunda obra-prima do diretor (depois de Os imperdoáveis), é uma produção japonesa, com atores japoneses, inteiramente falada em japonês e, ainda, trata de um importante episódio da II Guerra Mundial com foco no ponto de vista dos japoneses: a defesa encarniçada da Ilha de Iwo Jima, em 1945. Uma vitória penosa dos EUA, que tiveram 6.800 fuzileiros navais mortos e 19.000 feridos. As perdas japonesas foram totais: 21.000 mortos, depois de acirrada resistência nos 13 km2 da estratégica ilha, que iria ser usada como futura base de aviões de caça dos EUA, para escoltar os bombardeiros norte-americanos em seus ataques ao Japão. Devido à tenacidade japonesa, o combate, que, segundo o comando americano, deveria durar quatro dias, se estendeu por um mês. Uma epopéia digna de um grande filme épico, como este.
OSCAR 2006:
Conforme prometêramos no número anterior deste jornal, divulgamos os vencedores do Oscar para filmes lançados em 2006. A cerimônia de premiação foi realizada em 25 de fevereiro de 2007.
– O grande vencedor foi Os Infiltrados, de Martin Scorsese, que também levou o Oscar de melhor diretor, aos 64 anos de idade, uma espécie de reparação pelos 26 anos em que vem produzindo bons filmes (como Touro indomável, Taxi driver, O aviador e outros), depois de oito indicações: seis como diretor e duas como roteirista. Os infiltrados levou quatro Oscar, nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro adaptado e melhor edição. Scorsese ganhou, ainda, o Globo de Ouro de melhor diretor. Um ano, sem dúvida, de sucesso merecido para o cineasta de tantos sucessos no cinema.
– O Oscar de melhor filme estrangeiro foi para A vida dos outros, dirigido por Florian Henckel von Donnersmarck. O filme alemão mostra técnicas de espionagem anteriores à queda do muro de Berlim.
Outros prêmios:
Ator: Forest Whitaker (O último rei da Escócia);
Atriz: Helen Mirren (A rainha);
Ator coadjuvante: Alan Arkin (Pequena miss Sunshine);
Atriz coadjuvante: Jennifer Hudson (Dreamgirls);
Roteiro original: Pequena miss Sunshine;
Fotografia, direção de arte e maquiagem: O labirinto do fauno;
Figurino: Maria Antonieta;
Trilha sonora: Babel;
Canção: I Need to Wake Up, de Uma verdade inconveniente;
Edição de som: Cartas de Iwo Jima;
Mixagem de som: Dreamgirls;
Efeito especial: Piratas do Caribe - O baú da morte;
Animação: Happy Feet - O pingüim, de George Miller.